A boa performance de armazenamento de água da barragem da Aguieira, bem como das albufeiras da Serra da Estrela, garantem a melhor média nacional de armazenamento

É a bacia do Mondego que apresenta atualmente a melhor situação nacional de armazenamento de água no país, contando com o total das suas seis albufeiras.
António Rosado – Diário As Beiras
Mesmo num ano com pouca chuva, os 62,7% de volume atual é exatamente igual à média de armazenamento dos últimos anos no último dia de setembro.
Estes valores ficam muito a dever-se à boa performance da Barragem da Agueira, onde o rio Dão desagua no rio Mondego no limite dos concelhos de Mortágua com Penacova. É esta a infraestrutura da bacia do Mondego com mais percentagem de armazenamento, com 67,1%, seguindo-se a do Caldeirão (63,8%), Lagoa Comprida (65,1%) e Vale do Rossim (50,4%), também todas acima da média para esta altura do ano.
Pior estão as albufeiras de Fagilde, no rio Dão (42%), e Fronhas, na ribeira do Alva (32,2%).
É de ressalvar que a capacidade de armazenamento da Barragem da Aguieira é cinco vezes superior (423 milhões de metros cúbicos) ao total das restantes cinco albufeiras referidas da mesma bacia hidrográfica. A nível nacional só Castelo de Bode (Zêzere, bacia do Tejo) e Baixa Sabor (afluente do Douro) são maiores – mais do dobro da dimensão – respetivamente com valores de armazenamento de 65% e 90% (em linha com a respetiva média). Todavia, em ambos os casos, as outras barragens das respetivas bacias hidrográficas fazem baixar a média para 46,6% (Tejo) e 49,85 (Douro).
Seca nos campos é diferente das barragens
Estes dados revelam que o abastecimento de água à população na região Centro não está em causa, nem a curto, nem a médio prazo.
Em algumas zonas do resto do país a situação não será tão risonha porque há uma descida de volume armazenado em 10 das 12 bacias hidrográficas existentes.
Das 58 albufeiras monitorizadas, só três apresentam disponibilidades hídricas superiores a 80% (no Douro), enquanto 32 têm disponibilidades inferiores a 40% do volume total, principalmente no sul de Portugal, mas não só: as bacias do Barlavento (9%) e do Lima (22,3%) são as que apresentavam, no final de setembro, a menor quantidade de água armazenada, segundo dados SNIRH (Sistema Nacional de Informação de Recursos Hídricos).
