Marília Alves

Mahsa Amini era uma jovem iraniana de 22 anos. Natural da cidade de Saqez, no Irão, foi acompanhada dos pais e de um irmão de 17 anos à capital do país, a Teerão. Após ter percorrido os cerca de 600 quilómetros entre as duas cidades, estava a caminhar na rua com a família, quando foi detida pela chamada polícia dos costumes ou da moralidade que existe para controlar os comportamentos das pessoas, garantindo que cumprem as regras impostas pelo governo islâmico, incluindo o código de vestuário, que exige (desde 1979, ano da Revolução Islâmica) que as mulheres usem véu (os designados hijabs) na cabeça, em público.

O crime desta jovem: o véu que trazia na cabeça deixava uma mecha de cabelo à vista. No mesmo dia em que entrou na esquadra, saiu já inconsciente para um hospital. Morreu nos cuidados intensivos, três dias depois de ter ficado em coma, sob custódia policial. Embora a polícia alegue que Mahsa Amini sofreu um “ataque cardíaco”, a família afirma que a jovem não tinha qualquer problema de saúde e que lhes foi negado o acesso ao relatório da autópsia. Tudo indica que tenha sido espancada e torturada até à morte pelos agentes durante o que foi designado de “sessão de reeducação”.

Esta morte desencadeou uma onda de comoção por todo o país, induzida também pela situação social que se vive no Irão, e a polícia em geral não tem tido meios a medir para reprimir as manifestações de mulheres e de homens que as apoiam. A repressão policial aos protestos populares que tomaram conta das ruas matou pelo menos 75 pessoas e fez inúmeros feridos. Para tentar conter a onda de indignação, o Governo limitou a internet e as redes sociais no país (WhatsApp e Instagram estão cortados). Várias mulheres recusam-se a usar os seus hijabs em público e estão a queimá-los e a cortar o cabelo na rua, enquanto gritam “Morte ao ditador!”, referindo-se ao líder supremo do Irão, Aiatola Ali Khamenei.

No Irão aqueles que governam instrumentalizam a religião para impor a sua vontade de modo a ter mais poder e controlo sobre as pessoas. As mulheres vêem violados os direitos mais básicos ao ser humano e pagam com a própria vida quaisquer actos de insubmissão ao poder ditatorial até ao nível dos costumes.

E, infelizmente, assim acontece na generalidade dos países muçulmanos, onde não se questionam os direitos das mulheres, que, aliás, não têm sequer direitos, mas apenas obrigações. No Qatar, um dos países mais ricos do mundo, onde se irá realizar uma competição a nível mundial, imperam as mesmas leis relativamente às mulheres. E, até mesmo, em emirados supostamente modernos como o Dubai, as leis são iguais a esse nível. Mas são esses países que importam a maior parte dos bens ao ocidente e têm petróleo, pelo que convém darmo-nos sempre bem com quem tem uma bomba de gasolina.

 

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