Maria Helena Marques

Seja num mês ou noutro, na semana de trabalho, fim de semana ou domingo, há sempre aniversários natalícios a festejar. Uns são mais festejados que outros. 

Alguns até acarretam bastante despesa…. A verdade é que não é a festa em si que nos livra de ir somando anos. Acontece só, enquanto a vida nos for sustentando.

Quando se é muito novo deseja-se ser um tanto mais velho e quando os anos começam a pesar, olhamos para trás, ao tempo em que o vigor nos tornava mais fortes e saudáveis desejando, talvez, voltar a esse tempo…
Depende das circunstâncias…

Por vir a jeito este tema quero aqui recordar um poema de João de Deus que meu pai sabia de cor e declamava com muita graça. Alguns o conhecerão outros vão conhecer agora. 
Reza assim o dito poema que se pode adaptar a outro dia da semana:

Com que então caiu na asneira
De fazer anos à sexta feira!
Que tolo, tão pouco siso…
Ainda se os desfizesse
Mas fazê-los não parece
De quem tem muito juízo.

Não sei quem foi que me disse
Que fez a mesma tolice
Aqui o ano passado…
Agora no que vem aposto
Como lhe tomou o gosto
Que faz o mesmo coitado!…

Não faça tal, porque os anos
Que nos trazem? Desenganos
Que fazem a gente velho.
Faça outra coisa, que, em suma
Não fazer coisa nenhuma
Também lhe não aconselho…

Mas, anos, não caia nessa
Olhe que a gente começa
Às vezes por brincadeira
Mas, depois que se habituou
Já não tem vontade sua
E fá-los queira ou não queira…

João de Deus 

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