Hoje vi o tempo a correr pra trás
Vi o lamento dos Reformados a pedirem pão e Paz
Na “guerra” contra as suas pensões, que não pára
E, em frente de mim, estava o Maia, em mural, audaz
Salgueiro de folhas que ainda sopram a Liberdade
Como tronco firme espalhado nesta sua cidade
Santarém
Revi o seu olhar destemido
Mas carinhoso de bom, amigo
Confiável
E pensei no que diria ele se visse o seu Povo
A sofrer tanto assim
!… Quase tanto como nos tempos em que ele teve que se morder para fazer estremecer …!
Também cogitei
Se estes atropelos teriam coragem de existir ou de se exibir
Com alguém tão valente
Pela frente
Tão humano, mas racional
Tão sereno, mas animal
Com o chaimite da sua simplicidade em ação
Como o era aquele rapaz de bem, com coração
Que nasceu -como eu- num tempo triste de mais
Mas que lutou contra forças desiguais
No seu Abril
Abril que não nasceu para retirar direitos
Nem para fazer viver mal, por imposição
Quem já cumpriu o seu contrato
De ajudar, com trabalho, dedicação e contribuição
… o ávido Orçamento desta nossa pobre Nação!
Luís Pais Amante (Juízo de Pequena Instância Cível de Santarém)
Depois de “conversar” ali atrás com o Salgueiro Maia, que conheci bem.

Efectivamente as nossas pensões de reforma estão sempre a desvalorizar, mas nós estivemos sempre a pagar.
Deixem-nos em paz!
Palavras sábias.
Admiro muito vc, Luís Amante pela sua facilidade de reunir a música da poesia com a história, com as questões sociais e políticas, as injustiças atuais, com o cotidiano.