Maria Helena Marques

Todos os “media” têm, por estes dias, como assunto principal a morte da Rainha Isabel II. Não é de admirar.
Teve um reinado longo e recheado dos mais variados episódios e acontecimentos, uns mais felizes que outros e que fomos conhecendo, porque foram sendo publicitados.
Os mais felizes e mediáticos transportaram-nos para os contos de fadas de príncipes e de princesas que tinham povoado e espevitado a nossa imaginação de crianças através dos livros infantis.
Em criança li muitos livros da Condessa de Ségur e outros que tais. Assim, histórias de rainhas, príncipes e princesas, sempre, me despertaram interesse.
A vida de Isabel II foi muito fértil em episódios dignos da verdadeira princesa e rainha que foi.
Essa vida tem sido agora muito recordada e quem não conhecia, passou a conhecer…
Pela parte que me toca e, porque quando ela foi coroada eu já era “gente”, os factos mais importantes da sua vida e de sua Família, eu fui sempre acompanhando.
Mas nada mais emocionante do que poder ver, a dois palmos de distância, o casal real, como aconteceu, quando ela veio em 1957, visitar a cidade do Porto na sua primeira visita a Portugal.
A essa data eu estudava no Liceu Rainha Santa Isabel na cidade do Porto.
A cidade recebeu-a de forma altamente festiva e calorosa.
O Porto e arredores despovoou-se para se “postar” nas ruas por onde iria passar o Cortejo Real.
Os alunos e alunas das diversas Escolas e Liceus, com suas batas vestidas e de bandeirinhas na mão, enfeitavam as ruas com sua juventude e erguiam sua voz para saudar Isabel II, Rainha do Reino Unido.
“God save the Queen”! Era um coro imenso que assim saudava o Casal Real e ecoava pelas ruas da cidade do Porto!
Eu estava lá! A minha voz, também se fez ouvir naquela rua que sobe da Estação de São Bento para a Sé do Porto lugar que nos foi atribuído.
Uma grande emoção!
Passaram rentinho a nós! Podíamos tocar-lhe! Isabel II, muito jovem e bonita, acenava e sorria a gradecer. Nós, felizes, sorríamos, também, por aquela oportunidade de concretizar sonhos de criança que povoaram a nossa imaginação.
Inesquecível!
E, não resisto a desvendar um episódio caricato que por lá aconteceu… O coro que gritava ” God save the Queen” era entremeado, de onde em onde, por umas vozes masculinas, dos alunos irreverentes e brincalhões que diziam “God shave the Queen”! Ela não se terá apercebido, certamente e na verdade, ela não merecia, pois seu rosto estava impecavelmente belo!
Coisas de rapazes…
Diz o Povo: “rapazes, nem o diabo quis nada com eles!…


