Luís Pais Amante
Já sabemos que, independentemente do que eu penso da ministra da saúde que se acaba de demitir, ela permaneceu no Governo até querer; com o aval do Presidente da República!
Só não consigo vislumbrar o porquê, embora saiba que estas coisas acabam sempre por vir ao de cima.
Porque não foi pela competência que a senhora vinha demonstrando, isso não.
Aliás,
Andou desaparecida “no combate” que os profissionais de saúde estão a travar, face ao descalabro que se tem antecipado há muito, mesmo muito tempo.
E a estatística recente do Eurostat sobre a mortalidade, arrasa-a.
E os problemas que têm levado à morte, igualmente.
Ser governante não é ser consultor; nem modelo; é ser responsável, saber antecipar as necessidades da área que se gere e pôr em prática as políticas estabelecidas nos programas eleitorais, exigindo dotação de meios suficientes, o que pressupõe saber quantificá-los previsionalmente.
Ser governante não é criar, manter e desenvolver guerras com toda a gente ligada a um determinado sector, como já escrevi.
Ser governante é saber interiorizar e aferir da oportunidade da permanência própria num determinado cargo.
E é saber sair dignamente, o que in casu não aconteceu.
!… A Saúde não é, propriamente, uma área em que se devam fazer experimentações sucessivas, não criando boas condições para o nascer das crianças, impedindo o acesso às consultas a toda a gente e permitindo que as estatísticas mostrem uma anormal mortandade dos velhos …!
Por norma elas (experimentações) dão maus resultados e culminam com a morte; a morte é, justamente, o que a área encarregada, no governo, pela saúde dos portugueses deve evitar a todo o custo.
E sem querer aproveitar aqui a desgraça alheia -que já está a vulgarizar-se- o que sei é que foram -e vão continuar a ser- são casos a mais, em pouco tempo, de situações que não podem deixar de ter culpados.
E, sejam eles os administradores, os profissionais, a máquina, ou as suas falhas sucessivas, a verdade é que, em última análise, a culpa em sentido lactu, não pode deixar de ser de quem está no topo da hierarquia, quer o PR queira, quer não.
!… lembram-se do Jorge Coelho e da queda da ponte de Entre-os-Rios …?
Pois é, caros amigos do PS, nunca se esqueçam da mais valia em credibilidade que vos trouxe essa atitude nobre…que a história tem demonstrado ser raríssima.
Como a sobrevivência do governo (com todos, todinhos, os seleccionados) tem tido que ser um facto, custe o que custar; como ainda se não esgotaram as capacidades de provocar as reuniões, as nomeações, os inquéritos, as comissões, as demissões, os protelamentos, etc, então só consigo imaginar uma solução para que este degredo deixe de se manter no nosso horizonte colectivo:
– Que seja proibido parir!
– Que se não deixe aumentar a Família!
– Que deixe de se falar sobre a mortalidade!
Num País cheio de crianças como o nosso é; num País em que o equilíbrio geracional é um facto real; num País com um uma pirâmide etária escorreita; num País em que a procura do paradoxo é um meio normalizado de funcionamento.
E não nos esqueçamos que a toda esta desgraça o que se faz, entretanto, é procurar passar o odioso das instabilidades para os Municípios, sabendo nós todos que muitos estão com sobredose, mas é de anestesia.
Haja paciência!

Espero, sinceramente, que se inverta este caminho triste do SNS que está desmoronar-se, com enorme repercussão negativa nos mais idosos e, agora, nos que estão para nascer
Muito bom, Luís!!!!!
Mais um puxão de orelhas na máquina da estatal !!!
Certamente haverá um momento em que essa paciência acabará.
O que acontece com a máquina do Estado que quando o motor é ligado, as rodas não giram e não se sai do lugar.
Penso que é mais uma amostra do pouco que o nosso Partido Socialista tem a “desoferecer” ao nosso país.
Uma vergonha uma ministra demitir-se sem qualquer tipo de explicação.
Ao princípio, tudo parecia promissor para Marta Temido, no Ministério da Saúde. E, por uns tempos, até houve lugar a elogios e consolidação dessa esperança porque, frontalmente, comprou algumas guerras com os diversos intervenientes da área da saúde, principalmente o sector privado, e isso pareceu bem a muita gente.
Mas, o combate à epidemia do covid19, que protagonizou e que, de certo modo, a entronizou como figura mais popular do Governo, teve (e está a ter!) graves sequelas.
Além de que, dizem agora os números que, em Portugal, o combate ao covid até nem foi um êxito tão grande quanto isso. Antes pelo contrário…
Previsívelmente, a fixação em envolver intensivamente a quase totalidade dos recursos materiais e humanos do SNS no combate a esta epidemia, acabou por o “desvitalizar”.
Anormalmente desgastados ou em avaria os equipamentos, perigosamente baixos os stocks de alguns medicamentos bem como de materiais de uso corrente e exauridos os profissionais, física e psicologicamente, o tão desejado regresso do SNS aos tempos de normalidade foi um desagradável mergulho na realidade.
Descobriu-se que havia subido significativamente a incidência e mortalidade de outras doenças que não o covid, e com o aproximar do período de férias avolumavam-se as dificuldades para elaborar as escalas das urgências, sobretudo aos fins de semana, particularmente nas especialidades de pediatria, obstetrícia e ginecologia.
Marta Temido ainda assim insistiu, mas as soluções revelaram-se manifestamente desajustadas, e acabaram nessa inenarrável coisa que parece estar a revelar-se ser o Estatuto do SNS.
Por princípio, não gosto de bater em quem está na mó de baixo, mas a realidade é que foram muitos os erros e os desacertos. Ainda assim, não posso deixar de homenagear o empenho, a sensibilidade e a simpatia. Pena que não tenha sabido (ou querido…) ter a humildade de desistir a tempo. É pena, por ela, e por nós todos, que precisamos duma área da saúde operante e eficiente.
Com o devido respeito não acompanho totalmente o tremendismo do Luís Amante mas, Marta Temido, de bestial a besta foi um (demasiado) rápido percurso.