David Gonçalves de Almeida

A 18 de Julho de 2015 foi apresentado na Biblioteca Municipal de Penacova o livro “Penacova visto pela demografia” tendo como como autores Paulo Cunha Dinis e Filipa de Castro Henriques. A apresentação da obra esteve a cargo de Rute Cunha, jovem penacovense, Mestranda em Política Cultural Autárquica na Faculdade de Letras de Coimbra.

Trata-se de uma publicação com a chancela da editora “Lugar da Palavra”, que teve o apoio da Câmara Municipal de Penacova, da União de Freguesias de S. Pedro de Alva e S. Paio do Mondego e da Fundação Mário da Cunha Brito.

Na sessão de lançamento esteve presente Humberto Oliveira, Presidente da Câmara, que no prefácio por si assinado escreveu que “nos territórios de baixa densidade como é o caso de Penacova, mas também em todo o Portugal ou mesmo na Europa a demografia é o principal desafio para as próximas décadas”, salientando que “o principal desafio não é o défice nem a dívida”, mas “é mesmo a demografia”. No uso da palavra foi ainda mais contudente ao afirmar que “estaremos perante um cenário ‘dantesco’ atingível a não muito longo prazo.”

Na contracapa do livro encontramos também dois depoimentos, o primeiro, de Ernesto Fonseca Coelho (Fundação Mário da Cunha Brito) e o segundo, de Víctor Cordeiro (Presidente da União de Freguesias de SPA e SPM):

Entende Ernesto Coelho que «em qualquer projeto de desenvolvimento, para atingir os objetivos desejados, é indispensável conhecer, não só o passado mas sobretudo a realidade presente, fazer o diagnóstico e traçar diretrizes futuras. Estamos perante um trabalho que revela a realidade atual do nosso concelho e pões a nu as nossas vulnerabilidades. Estamos perante um documento de trabalho que lhe exigiu muita consulta, muita investigação, muitas horas de sono perdido e que vem colmatar uma lacuna sobre um tema que ainda não tinha sido abordado. É uma preciosa ajuda com a qual os responsáveis autárquicos e todas as forças, instituições e cidadãos responsáveis pelo futuro do nosso concelho passam a contar, para em conjunto, procurarem os caminhos que levem à inversão da nossa realidade demográfica.»

Por sua vez, Víctor Cordeiro reconhece que “o conhecimento com pormenor sobre a população é de extrema importância para a execução do serviço público prestado pelos organismos e instituições à mesma, estabelecendo uma política de proximidade. Saber quantos somos, como somos e vislumbrar quantos seremos daqui a duas décadas permite-nos efectuar uma gestão dos recursos disponíveis a médio e longo prazo, de um modo mais eficiente. O estudo da população e o cenário de projecção são uma mais valia no estabelecer de prioridades, na tomada de decisões e essencialmente, uma maior segurança sobre o caminho a percorrer. “

O campo de estudo vai de 1970 a 2014. A investigação foi desenvolvida entre Janeiro e Março de 2015 fazendo algumas projecções para o ano 2031, quando se realizar mais um Censo da População. Na nota de apresentação, dizem-nos os autores que “o presente estudo tem como objectivo discutir e apresentar considerações sobre as dinâmicas da população do concelho de Penacova”, justificando-se o mesmo “em virtude do envelhecimento da população e do seu desequilíbrio entre as estruturas etárias”. Dizem-nos ainda os autores que procuraram “perceber, porque, sendo territorialmente um concelho não periférico na Região Centro, por que razão tem vindo a consolidar um envelhecimento acentuado da sua população.”

O livro estrutura-se do seguinte modo:

  1. Apresentação
  2. O Concelho de Penacova
  3. Economia
  4. Estrutura Social
  5. O Trajecto Demográfico
  6. A População
  7. As Projecções da População
  8. O Apoio Social
  9. A Fundação Mário da Cunha Brito como exemplo de investimento Privado no Apoio Social
  10. Posicionamento Estratégico de Penacova com Base na Análise SWOT
  11. Conclusões e Sugestões

“Na demografia encontramos a inevitabilidade das tendências do futuro, porque estas resultam dos acontecimentos passados”, sublinham os autores. Nos últimos quarenta anos – refere o livro – Penacova perdeu 2024 indivíduos (12% da sua população) tendo-se ultimamente agravado a situação dado que durante a década 2001-2011 se perderam 1474 habitantes, isto é, 73% do total perdido desde 1970.

Tudo aponta para que o concelho continue a perder população. Por exemplo, se em 2011 a população jovem representava um oitavo da população total, em 2031 esse valor representará apenas um vigésimo. Os nascimentos atingirão metade dos verificados em 2011 e a população idosa vai passar para o dobro. Já hoje (2014) por cada 5 óbitos só nascem 2 crianças. Em 2013 estimava-se que em Portugal o índice sintético de fecundidade era de 1,21. Ora, em Penacova já só era de 0,9, situando o nosso concelho na 270ª posição.

A obra enumera, ainda, algumas das potencialidades (e fragilidades) do desenvolvimento económico-social do concelho, aspecto que, além do problema da natalidade, se cruza com a questão da fixação (ou eventual atracção) das pessoas no território concelhio. Também o fenómeno migratório (interno e externo) é tido em conta neste estudo.

NOTA SOBRE OS AUTORES:

PAULO CUNHA DINIS fez os primeiros estudos em Penacova e pertence a uma família de S. Pedro de Alva. É Mestre em Estudos Políticos de Área – vertente Relações Internacionais no Cáucaso do Sul pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa, com a dissertação “A Geórgia e a Política Externa Russa. Uma análise do Cáucaso à luz da Teoria da Regionalização”; obteve a Licenciatura em Ciência Política e Relações Internacionais na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade NOVA de Lisboa. Tem como principais Áreas de Investigação: Política Externa Russa; Regionalismo Caucasiano; Diplomacia; Diáspora dos Estados ex-soviéticos; Defesa; Relações Internacionais.

É ainda autor das publicações “Ensaios sobre a Praça” (2010) e  “Lapsos de Tempo” (2008).

FILIPA DE CASTRO HENRIQUES é licenciada em Economia, mestre em Estatística Gestão de Informação ISEGI-UNL; à data, assistente convidada FCSH-UNL; economista GEE-MEI e doutoranda em Relações Internacionais, na área de Globalização e Ambiente na Faculdade de Ciências Sociais e Humanas – Universidade Nova de Lisboa (2009-2013), investigadora do CEPESE nas áreas de Envelhecimento, Educação e Saúde e Análise Prospectiva e Planeamento. Tem como principais Áreas de Investigação:

Demografia; Análise Prospetiva; Economia; Educação; Saúde; Estatística e Globalização.


FICHA BIBLIOGRÁFICA / BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL

“Penacova: visto pela demografia” / Paulo Cunha Dinis, Filipa de Castro Henriques. – 1ª ed. – Rio Tinto : Lugar da Palavra Editora, 2015. – 115 p. : il. ; 21 cm. – Bibliografia, p. 111-113. – ISBN 978-989-731-098-0

Link: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/bibnacional/1929825

 

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