David Gonçalves de Almeida

“Talvez nem todos quantos se cruzam com o lugar saberão que o mosteiro que, hoje, podemos olhar e fruir, guarda memórias bem mais antigas que as ligadas às freiras de Lorvão. Na verdade, o Mosteiro de Lorvão é bem mais vetusto que o próprio reino de Portugal(…)” – escreve Maria Alegria F. Marques, autora da obra que foi apresentada em Lorvão no dia 18 de Setembro de 2021, com o título “Memória de um Mosteiro: Lorvão, séculos IX-XII. História de uma comunidade masculina”.

Maria Alegria Fernandes Marques é professora catedrática jubilada da Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra. A obra, editada pela Câmara Municipal de Penacova, foi apresentada por Maria José Azevedo Santos, também ela professora (recentemente jubilada) da referida Universidade.

De acordo com a autora, este livro tenta preencher algum vazio ainda existente sobre a acção organizativa e até orientadora do Mosteiro, na fase em que foi ocupado pelos monges.  Por outras palavras, pretende perceber melhor “o papel que o mosteiro teve na organização e desenvolvimento de boa área da bacia do Mondego, pelos seus responsáveis, enquanto foi uma comunidade de monges de fronteira.”

A obra começa por apresentar, em traços largos, a evolução histórica desta região, desde a ocupação muçulmana em 715 até à consolidação da fronteira do Mondego em 1147. Desenvolve, de seguida, a história do mosteiro, desde a comunidade primitiva até ao “momento funesto do seu fim” (como comunidade masculina) nos inícios do século XIII. Extensa e actualizada bibliografia é-nos apresentada no final do livro (pág. 213 a 233) que se divide nos seguintes capítulos:

I –   A região de Coimbra entre os séculos IX-XII. Contexto político-militar

II – Os primórdios (conhecidos) do Mosteiro de Lorvão

III- O Mosteiro de Lorvão entre os séculos IX e X. A vivência sob o poder cristão (857-987)

IV- O Mosteiro de Lorvão entre os séculos X e XI. A vivência sob o poder muçulmano (988-1064)

V – O Mosteiro de Lorvão entre os séculos XI e XII. Da restauração do poder cristão entre Douro e Mondego à doação do mosteiro à Sé de Coimbra (1064-1109)

VI- O apogeu do mosteiro masculino de Lorvão. Da restauração do mosteiro ao final do século XII (1136-1211)

VII- O processo do mosteiro de Lorvão (1205-1211)

Este estudo insere-se no conjunto de outros que a autora tem vindo ao longo da carreira académica a publicar: “Inocêncio III e a passagem do Mosteiro de Lorvão para a Ordem de Cister”; “Vida e morte de um mosteiro beneditino: o caso de Lorvão” e  O Mosteiro de Lorvão: ainda a saída dos monges e a entrada das freiras.”

Um livro que, apesar do rigor histórico e científico, pretende ser de leitura acessível ao “cidadão comum interessado na sua terra, no seu passado, nas suas raízes e nos seus símbolos”. Uma obra dedicada a todos os penacovenses que se revejam, “com orgulho”, nesta “instituição que levou longe o nome da sua terra”.

NOTA SOBRE A AUTORA

MARIA ALEGRIA FERNANDES MARQUES nasceu a 10 de Setembro de 1950. É licenciada em História (1974) e doutorada em História da Idade Média (1990), pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra, onde foi professora catedrática e membro do Centro de História da Sociedade e da Cultura. Integrou a equipa responsável pelo Projecto do Museu Cisterciense de Alcobaça.

A sua vasta obra tem-se centrado na história medieval, em especial na história das instituições de governo local na Idade Média (concelhos e senhorios) e das instituições religiosas, com especial incidência nos mosteiros cistercienses, bem como na história da educação.

É autora de várias obras, de que destaca Bulário Português. I. Inocêncio III (1198-1216) (obra em co-autoria com Avelino de Jesus da Costa; Coimbra, 1989) e Estudos sobre a Ordem de Cister em Portugal; Coimbra, 1998), A corte dos reis de Portugal. D. Afonso Henriques. D. Sancho I. D. Afonso II. Gijón, [Espanha], Editorial Trea, 2008.

No domínio da História local, tem alguns estudos, bem como publicação de forais, de que destaca “As Terras de Mira. Perspectiva Histórica” (1993), “Concelho de Mealhada – Terras de verde e de ouro” (2002; “Os forais de Torre de Moncorvo (2005;  Foral de Angeja – 1514 (2005), “Carta de couto de Osseloa – 1117 (2006);  “Foral de Paus – 1516 (2006); “O foral manuelino de Vacariça e Mealhada (2006); “Os forais manuelinos de Vagos e Soza (2007); “Os forais de Penacova (Penacova, Câmara Municipal, 2007) e o “Foral manuelino de Cantanhede (2008).


FICHA BIBLIOGRÁFICA / BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL

“Memória de um mosteiro: Lorvão séculos IX-XII, história de uma comunidade masculina” / Maria Alegria Fernandes Marques; coord. Paula Cristina Ferreira da Silva. – 1ª ed. – Penacova: Câmara Municipal de Penacova, 2021. – 240 p.: il. ; 24 cm. – ISBN 978-989-54949-2-7

Link: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/bibnacional/2081667

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