David Gonçalves de Almeida

A indústria de cal foi uma das indústrias mais significativas no nosso concelho, porventura a seguir à dos palitos e da cerâmica. Esta actividade, iniciada em meados do século XIX, terá atingido o seu ponto alto entre os finais dos anos 1920 e os princípios dos anos 1960. Justificava-se, pois, a edição deste livro, tendo como autor José Amado Mendes*, professor catedrático de História. Foi publicado pelo Município de Penacova em Dezembro de 2000.
A pedra de cal extraída das pedreiras locais, destinava-se ao fabrico de cal parda, utilizada na construção civil e nos solos agrícolas como correctivo. Uma amostra de cal proveniente de Sernelha (Manuel dos Santos Laço) esteve patente na Exposição Distrital de Coimbra em 1869. De igual modo, no Congresso Beirão (Castelo Branco) de 1929 estiveram a representar Penacova algumas amostras de cal (fornos de Daniel Nogueira Seco e de Mário Simões Bispo, do Casal de Santo Amaro) bem como a cerâmica e os palitos.
Nos anos 30/40, o Casal de Santo Amaro afirmou-se como principal centro de produção de cal, seguindo-se Friúmes e Vale de Lagar. Por volta de 1950 encontramos esta indústria em Casal de Santo Amaro, Ferradosa, Hospital, Quinta da Cortiça, Raiva, Sernelha e Vale do Tronco. A partir dos anos sessenta a produção entra numa fase de decadência devida a alterações na construção civil (generalização do betão), melhoria dos transportes, Guerra Colonial e Emigração (cada forno empregaria cerca de 15 pessoas).
Num dos núcleos do Casal de Santo Amaro, o Centro Recreativo local, com o apoio da Câmara Municipal, reconstruiu um dos fornos existentes e suas áreas envolventes (1997). Esta iniciativa está na origem do espaço hoje existente de arqueologia industrial (grupo de fornos de produção de cal parda, com um pequeno núcleo museológico de peças da cal e carpintaria), o Núcleo Museológico dos Cabouqueiros e dos Carpinteiros.
A obra encontra-se assim dividida:
- Introdução: vicissitudes da história económica de Penacova
1.1. Identificação e caracterização do concelho
1.2. Uma agricultura pobre
1.3. Crescimento moderado da população
1.4. Recurso a outras actividades: transporte fluvial e “indústrias”
1.4.1. Navegação comercial e transportes
1.4.2. Transformação de matéria-prima
- Origens da produção de cal no concelho de Penacova
- Da pré-indústria à indústria: tentativa de industrialização
3.1. Expansão dos fornos de cal (1861-1918)
3.2. Tentativa de industrialização no fabrico de cal
- Apogeu e decadência na produção de cal em Penacova
- Vestígios da produção de cal: potencialidades de um património
Defende o autor, a concluir esta obra, hoje em análise: “O património industrial do concelho de Penacova, embora se possa considerar um subproduto da sua história dos últimos séculos, faz parte integrante da identidade, da memória e do imaginário das populações. Por isso mesmo, ele deverá ser perspectivado como valor acrescentado aos outros recursos do município – naturais e paisagísticos, sem esquecer a sua posição estratégica, como ponto de passagem ou de cruzamento de vias -, devendo ser integrado como parte relevante do turismo cultural, a incentivar e a desenvolver. Neste sentido, também o passado – sucintamente recordado na resenha da história económica do concelho, com que se iniciou este trabalho – poderá constituir uma das ‘alavancas’ do futuro.”
NOTA SOBRE O AUTOR
JOSÉ MARIA AMADO MENDES é licenciado em História (1972); Mestre em Ciências da Educação pela Universidade do Texas, em Austin (EUA), e doutorado em História Moderna e Contemporânea, pela Faculdade de Letras da Universidade de Coimbra (1985). É professor catedrático (aposentado) da FLUC, de onde foi Presidente do Conselho Científico, sendo ainda subdirector do Centro de Estudos de História Empresarial e vogal do Instituto de Investigação Pluridisciplinar da UAL.
Tem-se dedicado à investigação de diversas temáticas, com destaque para as seguintes: história económica e social, industrialização, história empresarial, ética e cultura de empresa, liderança e cultura organizacional, museologia e património cultural.
Publicou várias obras, entre as quais: História da Indústria Portuguesa. Da Idade Média aos nossos dias (em co-autoria) e História do Vidro e do Cristal em Portugal. Foi um dos organizadores do I Encontro Nacional sobre o Património Industrial (1986), cujas actas foram publicadas sob a sua coordenação. Foi membro e coordenador de um grupo de trabalho do Centro de Estudos Interdisciplinares do Século XX (CEIS 20). É membro de várias associações científicas, nacionais e estrangeiras.
FICHA BIBLIOGRÁFICA / BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL
“A indústria de cal no Concelho de Penacova: história e potencialidades” / José Amado Mendes – Penacova: Câmara Municipal, 2000. – 32 p.: il. ; 24 cm. – Bibliografia, p. 31-32
Link: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/bibnacional/1077424












