Há muitos séculos atrás
Utilizando “cascas de noz”
Desbravámos mundos, erguemos a voz
E fizemo-lo norteados pela ambição de todo um Povo
De tez morena, estatura pequena, vontade feroz
Ficámos conhecidos e reconhecidos
Espalhámos o “Estatuto do ser Português”

Hoje
Há anos demais a espalhar saudade
E em aparente liberdade
Só nos lembramos dos feitos
Mas não dissertamos nada sobre os jeitos
Nem criamos condições pra nossa Juventude se fixar
Se entusiasmar com a vida de cá
Obrigando-a a sonhar com outras paragens
Que nunca terão melhores aragens
Dando-lhes só uma missão: voltar ao descobrimento
Deixar o sol
A segurança
A Família…até a herança
E procurar locais de céu por vezes mais cinzento
… mas estrelado no envolvimento do desenvolvimento …
Ela é a Liliana da Bioquímica que está pra ficar em Cambridge
E já é Investigadora de excelência na evolução do medicamento
Ele é o João que vai pro Japão
Aprender a fazer sushi à mão
É a Inês que correu pra New York
Cantando em bom inglês
E a Mira que admira o fiorde norueguês
Ou a Catarina da ciência robótica, que tem tudo na frequência certa
E foi selecionada para ensinar em Valência
Ou o André que estudou medicina fora, na Chéquia
E, agora, só tem lugar no hospital
Quando o seu pai, cirurgião, se for embora
E o Martim que aceitou ser maestro em Pequim
Bem como o Frederico, que não come sardinha, não
Mas que “as apinha na passerelle” de Milão
São nómadas do novo mundo normal
São seres que retomaram uma veia universal
São gente com convicção e muita massa boa na cabeça
Mas que já não sonham aqui, connosco
Porque não lhes damos o que precisam pra ficar
Porque só vemos pequeno, quais míopes sem saber nadar
Verdadeiramente sem os saber compreender
!… Quiçá Incapazes de os amar …!

Luís País Amante
Ainda a digerir uma conversa de Psis (Filipa e Ana) que sabem muito sobre Famílias e Jovens.

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4 COMENTÁRIOS

  1. Poesia em jeito de comentário, ou comentário em jeito de poesia, o facto é que o Luís Amante, com o seu especial jeito, nos apresenta aqui algo que devia preocupar-nos muito.

    É uma realidade que estamos a perder as pessoas que constituem aquela que, há vários anos, todos reconhecemos e assumimos como sendo a geração mais qualificada que Portugal alguma vez teve, a todos os níveis. E toda essa qualificação foi feita cá, utilizando os nossos recursos!

    Que têm feito os governos no sentido de aproveitarem toda esta massa crítica tão necessária para o desenvolvimento do país? E não adianta bater só no P.S.: agora está na moda, é um facto, mas um pouco de honestidade intelectual no debate, só faz bem…

    Que temos todos nós feito, em concreto, a nível individual, enquanto cidadãos de Portugal, no sentido de se criarem condições para que estes nossos compatriotas fiquem e consigamos, enquanto sociedade, usufruir das suas capacidades, qualificações e potencialidades?

    Envolvidos em guerrinhas do alecrim e manjerona, a ver quem consegue ser mais liberal ou melhor português de bem, ou consegue melhores negócios com o regime ou abocanhar uns subsídios, tal é a nossa “espuma dos dias”. E na falta de condições ou de vontade política, ou de empenho da sociedade civil, ei-los que partem, buscar a sorte, noutras paragens, como cantava o saudoso Manuel Freire.

    São nossos amigos, nossos familiares, e a sua partida, talvez sem regresso, deixa-nos mais pobres afectivamente e mais desamparados enquanto sociedade.

    Tudo isto porque não os sabemos amar, diz o Luís Amante. Sem dúvida. Mas será que sabemos, sequer, amarmo-nos a nós próprios?

  2. Gostei imenso desta visão realista que todos nós mas, muito especialmente, a nossa juventude ( filhos e amigos ) que se veem obrigados a descobrir nos mundos de modo a viverem melhores dias.
    Um abraço
    Feio

  3. Luís, suas palavras fazem-nos refletir sobre a seriedade que representa a grande perda de talentos no país e a necessidade de não nos silenciar diante da falta de discussão objetiva deste tema no corpo político e mesmo na relação com os nossos filhos.
    Luís, vc é uma luz penacovense que ajuda iluminar mais a nação portuguesa.

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