Texto de António Rosado e fotografia de Pedro Santos – Diário As Beiras

Começa hoje e termina no domingo (Feriado Municipal) a Festa das Associações Gastronomia e Artesanato. A grande novidade é a alteração da localização do recinto?

A ideia de trazer as festas do município para o centro histórico de Penacova pretende revitalizar este espaço e atrair público, mais gente, mais vida, mais movimento. Assim é possível estimular o comércio local. Nós fizemos uma ronda prévia pelo comércio local e serviços para auscultar o que as pessoas pensavam sobre esta inovação, e cerca de 90% responderam que era uma ideia boa, beneficiando de um horário de comércio mais alargado. Depois é também uma festa muito virada para as associações. Temos mais de uma centena de associações no concelho que passaram por uma situação muito difícil devido à pandemia, em que as associações não puderam fazer eventos e, portanto, não faturaram. No recinto das festas, as tasquinhas vão ser só para as coletividades que, assim, têm uma forma de realizar alguma receita. Para além disso, temos também um palco só direcionado para as associações, onde vão subir espetáculos de bandas filarmónicas e ranchos folclóricos, desde música tradicional até danças acrobáticas. Será uma espécie de “best of” daquilo que as nossas coletividades sabem e podem fazer.

Dessa centena de associações, quantas vão estar presentes?

Vão estar presentes 20 coletividades, de acordo com o espaço disponível na feira. Representam praticamente todas as freguesias do concelho, de associações desportivas e recreativas até IPSS. A exceção a esta representatividade do concelho é uma tasquinha dedicada à comunidade ucraniana, que resulta do facto de termos acolhido no concelho cerca de meia centena de cidadãos ucranianos, na esmagadora maioria mães e filhos, porque os homens, infelizmente, não puderam vir, porque estão a cumprir o seu dever. Numa perspetiva de inclusão, vão estar presentes no certame com gastronomia local e apoio logístico de uma IPSS.

Este movimento de solidariedade revelou-se desde o início no concelho, com muitos proprietários de casas a disponibilizá-las para o alojamento de cidadãos ucranianos, o que respondeu a todas as necessidades do momento, com boas condições. Posso dizê-lo com conhecimento porque visitei todas as casas, e estes cidadãos estão muito bem instalados, muitos deles já com emprego e os filhos nas escolas.

Quanto aos concertos de música, que critério foi seguido para fazer este cartaz de espetáculos?

Queremos agradar a todos os públicos e a todas as gerações. O cartaz não é de exclusiva responsabilidade nossa porque, como sabem, por causa da pandemia, houve contratos que foram feitos nessa altura e que agora têm que ser cumpridos.

Mesmo no caso da atuação do Maninho, que é um artista de sucesso muito recente?

Não. Nesse caso, é escolha nossa. Não estava no “line-up”, mas agora está na crista da onda e em todos os festivais de verão, com milhões de visualizações no Youtube. Depois temos um dia que é dedicado aos artistas locais, como o Mesa para Cinco e Ruizinho de Penacova, mas também HMB e P*ta da Loucura.

A entrada nas festas é gratuita?

É verdade. A entrada no espaço é livre entre São João e o largo Alberto Leitão, mais conhecido por Terreiro, que é a zona dos espetáculos. Por isso, temos a expectativa da vinda de milhares de pessoas, distribuídas pelos três palcos.

A Situação de Contingência, devido às altas temperaturas, obrigou a alguns condicionalismos?

Sim, sobretudo em relação aos eventos desportivos que estavam programados, como eram os casos do trail, da caminhada e da prova de BTT. Decorriam em espaço florestal e, portanto, tivemos de os cancelar. Foi acionado o Plano de Emergência Municipal, de acordo com as determinações do país, com reforço da vigilância e informação à população. As equipas dos bombeiros foram reforçadas, para além das equipas de intervenção permanente, com funcionários da câmara. As entidades patronais também colaboram com a dispensa dos funcionários voluntários que possam ser chamados para situações de fogo, o que decorre da força da lei.

O território do concelho foi sendo preparado, com as limpezas necessárias?

Há sempre alguns constrangimentos nesse capítulo, que em Penacova são agravados pela natureza do terreno, com uma mancha florestal muito densa, com muitas centenas de proprietários, muitos deles sensíveis à questão da floresta e da limpeza da floresta, mas não todos. Esses que não são sensíveis, têm sido notificados maciçamente pela câmara para procederem às respetivas limpezas. Quanto ao que a câmara tem feito, temos o projeto do Condomínio de Aldeia do Chaínho, que está concluído: foi desenhado um anel de segurança em redor e foram colocados vários equipamentos no local, como um kit de primeira intervenção, um ponto de água e uma estação de compostagem em desenvolvimento e que teve financiamento do Fundo Ambiental.

Para além disso, temos feito aquelas intervenções de silvicultura preventiva e abertura de faixas de gestão de combustível, não em toda a rede viária, porque não temos capacidade financeira para isso, porque seriam milhões de euros mas, pelos menos, nas estradas que identificámos como sendo de maior risco. Um trabalho que agora está suspenso, porque as máquinas não podem estar a trabalhar por estes dias, pelo risco que existe de uma qualquer faísca se libertar para a floresta.

São operações muito pesadas para os cofres da autarquia?

A fatura dos combustíveis é elevadíssima. O custo da frota municipal disparou em flecha; pelo menos em 30% desde que o preço do gasóleo começou a subir, mesmo antes do início da guerra.

Como é que a autarquia tem feito frente ao aumento generalizado dos preços, designadamente do custo dos materiais para obras?

Tem afetado, e de que maneira. Vou dar dois exemplos: a Estrada de Carvalho, que vamos inaugurar no próximo domingo, teve um aumento de custo, na revisão de preços, entre 15 e 20 por cento mais cara, muito por causa da subida de preço do betuminoso. Estamos a falar de um aumento de 880 mil euros para mais de um milhão de euros. Também o novo Centro Educativo da Freguesia de Figueira de Lorvão é uma obra que está em fase final de execução, que vai ficar entre 15 e 20% mais cara, tudo por causa do preço das matérias-primas nos mercados internacionais.

Quais são as consequências destes custos na gestão autárquica?

É olharmos para o orçamento de 2022 todas as semanas e revermos as contas, porque temos de fazer equilíbrio financeiro. É um constante esticar da manta, a que se junta o corte na transferência de verbas do Orçamento do Estado para as autarquias locais que, no nosso caso, é superior a 600 mil euros.

Há obras previstas que estão a ficar para trás?

Não. O que disse é que as obras estão a ficar mais caras, mas estão em marcha. Na Estrada de Carvalho recorreu-se a crédito bancário, numa decisão que vem do executivo anterior, enquanto o Centro Educativo de Figueira do Lorvão teve comparticipação comunitária.

Um dos projetos que lançámos foi o Centro Interpretativo do Mosteiro do Lorvão, com comparticipação do quadro Portugal 2020. Foi uma corrida contra o tempo para começar as obras, o que aconteceu nos últimos dias. É uma empreitada de cerca de meio milhão de euros para musealizar as salas que estão construídas há oito anos, mas que ainda não são utilizadas, o que é uma situação muito estranha.

É uma queixa dirigida ao executivo autárquico anterior?

Dirigida ao executivo anterior, mas também ao Governo, que em 2014 investiu quase dois milhões de euros no que seria um museu, mas esqueceu-se de o musealizar. Ou seja, só construiu a parte física. Agora conseguimos desbloquear esse processo e acreditamos que vai dar um impulso muito grande ao Mosteiro do Lorvão e dar muita visibilidade a este património.

Mosteiro do Lorvão para onde também está previsto um hotel. Qual é o ponto da situação desse processo?

A ala do mosteiro onde funcionou o hospital psiquiátrico – que encerrou com muitas centenas de proprietários, muitos deles sensíveis à questão da floresta e da limpeza da floresta, mas não todos. Esses que não são sensíveis, têm sido notificados maciçamente pela câmara para procederem às respetivas limpezas. Quanto ao que a câmara tem feito, temos o projeto do Condomínio de Aldeia do Chaínho, que está concluído: foi desenhado um anel de segurança em redor e foram colocados vários equipamentos no local, como um kit de primeira intervenção, um ponto de água e uma estação de compostagem em de há mais de uma década – foi colocada na bolsa de imóveis do programa Revive e houve uma proposta que foi aceite. Esse concessionário entregou, no mês de maio, o projeto de obra e, por isso, estamos confiantes de que está a avançar a transformação em hotel de cinco estrelas, onde estão contemplados 90 quartos e que nos vai dar um impulso muito grande na capacidade de alojamento do concelho, que ainda é muito reduzida. Assim que aqui chegámos em outubro, após a tomada de posse, uma das primeiras reuniões foi com esse promotor, para sentir o pulso do projeto e penso que dentro de poucos meses as obras vão começar.

Quer dizer que há grandes expectativas de desenvolvimento do Lorvão?

É uma vila que está a beneficiar de um impulso muito grande em termos de turismo, a que se acrescenta a Casa do Monte, que está em reabilitação, onde vai ser instalada a “oficina do palito”, com verbas resultantes de uma candidatura a financiamento europeu, que nós reavaliámos e enriquecemos com novos conteúdos.

A concluir este capítulo das obras em curso, quero referir a variante à vila de São Pedro de Alva, com interseção do IC6 [Itinerário Complementar], que surge na lógica de unir as pontas, ou seja, as três vilas do concelho, cada uma com identidade própria, mas com espírito de entreajuda.

Como está o dossiê da saída de Penacova da APIN – Empresa Intermunicipal de Ambiente do Pinhal Interior?

Não há grandes novidades. A câmara é, ainda neste momento, acionista da APIN. Todos sabemos, porque está decidido e publicado, que a câmara quer sair. Este executivo reitera a decisão anterior de saída da APIN. Em breve haverá uma sessão do tribunal arbitral, depois do processo ter sido suspenso para negociações, mas não há ainda fumo branco e, portanto, procura-se agora um desfecho.

E quanto ao processo de transferência de competências do Estado Central para o município?

No setor da Educação já tínhamos assinado a transferência antes deste executivo ter chegado, mas na saúde, como a esmagadora maioria dos municípios, não assinámos o auto de transferência, porque não concordamos com o montante da verba que é proposto. Só para dar um exemplo, o valor que estava indicado para a rubrica da energia era com cálculos de dezembro do ano passado. Desde essa altura, a energia já subiu, pelo menos, sete vezes.

Os serviços de saúde no concelho dão a resposta adequada?

De uma forma geral funcionam bem. Temos um centro de saúde e três extensões de saúde, mas há uma notória degradação das instalações do centro de saúde, que são de meados da década de 1990 e precisam de ser renovadas. Sabemos que vamos ter uma verba de cerca de meio milhão de euros para renovar o Centro de Saúde de Penacova, confirmado na semana passada pela Administração Regional de Saúde do Centro.


Dia do Município a 17 de julho

“O Dia do Município de Penacova, no próximo domingo, vai ser uma oportunidade para prestar homenagens, ainda em vida, a vários cidadãos do concelho, mas também a outros a título póstumo”, explica o presidente da câmara, Álvaro Coimbra. A medalha de Honra Municipal será atribuída a José Alberto Costa e a Joaquim Leitão Couto, enquanto a Medalha de Mérito Municipal reconhece os bons serviços de Manuel Cunha Nogueira, José Bernardes Oliveira, Ernesto Fonseca Coelho, Armando Henriques Simões e União Desportiva Lorvanense, bem como, a título póstumo, Artur Santos Carril, António Fonseca Ferreira, Manuel Guerra Silva e Diamantino Carpinteiro. Na mesma sessão solene do próximo domingo serão reconhecidos os 25 anos de serviço de 11 dos funcionários municipais e 35 anos de serviço de outros cinco trabalhadores.

O Feriado Municipal – que celebra a efeméride do nascimento, a 17 de julho de 1866 em Vale da Vinha, São Pedro de Alva, daquele que viria a ser Presidente da República de Portugal, António José de Almeida – será uma oportunidade para inaugurar, às 12H00, a Estrada de Carvalho. Segue-se a entrega do prémio municipal de pintura João Martins da Costa. Foram recebidos cerca de oito dezenas de trabalhos de artistas de todo o país, enquanto as obras do pintor patrono do prémio estarão expostas na Casa das Artes Martins da Costa.

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