Estamos a viver uma época intensa, onde muita gente pode perder tudo o que tem e lhes dá algum rendimento.
E isto acontece num País pequeno, à beira de um ataque de nervos…
A sorte -ou a falta dela- é que o Presidente da República já desmarcou uma viagem a Nova
Iorque e o Primeiro-ministro já cancelou uma viagem de Estado.
Teremos, assim, mais duas cabeças pensantes a dar ordens ao Sistema que se vem construindo há tempo demais para o combate.
!… são mais chefes do que índios …!
Claro está que o “momento” climatérico conjuga uma série de valências que oferece terríveis dificuldades, principalmente às zonas onde a floresta é rainha.
Que é a zona mais pobre, mais interior, mais desprotegida, há tempo demais.
Ou seja a zona que o 25 de Abril esqueceu; que a política escarneceu; que as negociatas
aproveitaram exaustivamente.
Ou já nos esquecemos dos negócios ligados “aos meios aéreos”?
Por onde andam os que, decididamente, enriqueceram à custa desse fenómeno interessante:
o Estado não tem meios para suportar os custos de aquisição, mas eles aparecem para alugar esses meios e é imputado noutra rubrica qualquer do Orçamento…
Parecemos um País do terceiro mundo, indubitavelmente.
Passado o tempo de Pedrogão -onde um Comandante dos Bombeiros locais, foi o responsável por aquilo tudo e irá preso, certamente- a pergunta é:
– O que é que o Estado (este e os anteriores) fez, objectivamente, para preparar (não o
combate ao incêndio, propriamente dito) a prevenção ao incêndio rural e florestal?
Terá feito muita coisa em Lisboa, que ninguém percebe; uma estrutura centralizada, cheia de meios humanos bem pagos, PowerPoints bonitos, bons carros, etc e criou um imbróglio de todo o tamanho com a questão Siresp!
Atribuiu verbas aos nossos Bombeiros para que eles pudessem estar apetrechados nesta fase tão crítica?
Não! Até lhes deve -qual mau pagador relapso- rios de dinheiro, do transporte de doentes para o SNS e eles continuam a viver à conta dos seus associados, como eu sou!!
Fez alguma coisa das que foram Recomendadas por Xavier Viegas?
Parece que não…o entusiasmo adormeceu!
Fixou gente nas zonas do Interior?
Obviamente que não; mandou os novos pro estrangeiro e os mais velhos têm morrido como tordos, sem apoio!
Então,
Não resulta natural a conclusão de que a actividade palpável é a que se cingiu a retirar os
únicos portugueses que sabem da poda – OS BOMBEIROS- da área crítica, que é como quem diz da estrutura vertical e pondo-os de cócoras a esperar que os mandem para algum lado, obedientemente, por vezes atropelando-se uns aos outros nos locais de ação?
… Será esse o tema da reunião das altas figuras da nação, hoje?

Luís Pais Amante

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4 COMENTÁRIOS

  1. Meu amigo Dr.Luis, esse seu poema está dito tudo.
    Os nossos heróis bombeiros, dão a vida e lutam para apagar os incêndios.
    Nossos parabéns aos nossos heróis?
    Abraços

  2. Todos os anos o país se sobressalta com os incêndios florestais, nesta época. Maldiz-se o Governo e todos os poderes instituídos – e por vezes até os próprios bombeiros! – mas, passada a crise, tudo continua na mesma, como se nada fosse… Como assim, se isto é um assunto que nos interessa a todos?

    Só quem nunca viu, presencialmente, o avançar imparável das chamas, só que nunca viu o fogo a consumir bens e vidas insubstituíveis, só quem nunca conheceu, na pele, os danos materiais e os sofrimentos físicos que os incêndios podem causar, é que pode ignorar esta problemática.

    É um facto que as condições climatéricas se estão a alterar, em todo o Mundo. E Portugal, país de clima temperado e suave, não é excepção. Vamos ter que nos adaptar e adoptar novos comportamentos, desejavelmente muito mais responsáveis e esclarecidos.

    Que adianta o Governo estabelecer regras para os proprietários dos terrenos efectuarem a sua desmatação e limpeza de inertes, se essas pessoas, por vários motivos – desde serem proprietários absentistas, quando não desconhecidos, ou já não terem capacidade física para o fazerem e não terem recursos financeiros para o assegurarem – não as cumprem?

    Dir-se-á que a desertificação do interior, e a grande atomização da propriedade fundiária, e o nunca conseguido seu emparcelamento, complica particularmente o cumprimento destas regras e origina algum desinteresse. Mas isto não justifica os incêndios que estão a deflagrar em zonas urbanas á volta de cidades como Palmela e Setúbal.

    Que adianta o Governo estabelecer regras para o perímetro de segurança entre as zonas arborizadas e os edifícios ou os núcleos habitacionais/industriais, que são ignoradas pelas pessoas, que deviam ser as principais interessadas no seu cumprimento?

    Que adianta o Governo criar legislação de excepção, para situações como a de agora, impedindo a realização de eventos de massas, em locais sensíveis, se logo a seguir veem os respectivos organizadores fazer a maior resistência passiva, em público, clamando pelos respectivos prejuízos?

    Não é novidade que a grande maioria dos incêndios é causada por mão humana. Por vezes, infelizmente, por actuação deliberada, mas muitas (demasiadas!) vezes por negligência e/ou ignorância. E aí começa a nossa responsabilidade individual, perante nós próprios, perante o país e pela causa pública, tantas vezes esquecida…

    E não esqueçamos, nunca, os operacionais que no terreno se esforçam em cumprir, mesmo quando escasseiam os meios e as orientações são confusas ou inexistentes.

  3. Cem por cento de acordo com a opinião expressa pelo caro amigo, Luís Amante e, se fora possível, 200% com a conclusão final. Quantos anos já passaram desde que um novo País foi anunciado? O que se fez para isso, até agora? Quais as medidas estruturais para o nosso desenvolvimento? Nada ou quase nada, direi. Vamos continuar assim? Um abraço, para o amigo.

  4. Menos de 1% das ignições tem causa natural, mesmo em condições climáticas extremas. Anda-se, pois a disparar para o ar. Penas dissuasivas, duras e sem perdão para os negligentes e incendiários e investimento em meios sérios e eficazes para os detectar e encurralar, sairiam infinitamente mais baratos que o regabofe actual, próprio dum país da pera rocha.

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