Sabe o que significam termos, todos eles relacionados com os moinhos, como: aguilhão, cadelos, cambal, canoiras, tremonhas, carrete, entrosga, luvete, negalhos, pejadouro, quelha, rela, rodilhão, segurelhas, seteira, urreiro?

Neste “Glossário”, publicado em 2001 pelo Município de Penacova, da autoria de Joaquim Leitão Couto e Mafalda Sofia Pereira, encontramos muitos outros (cerca de 160) vocábulos usados para designar utensílios, objectos, acessórios, materiais e técnicas ligadas, não apenas aos moinhos de vento, mas igualmente aos moinhos de água – as azenhas ou moendas – também elas não menos importantes no ciclo tradicional do pão, em Portugal e muito especialmente no concelho de Penacova que possui um dos maiores núcleos molinológicos do nosso país.

Lemos na introdução que este livro “resulta da pesquisa de Joaquim Leitão Couto e das conclusões do Seminário do Estágio de Licenciatura em Turismo [da Escola Superior de Educação de Coimbra], realizado na Câmara de Penacova por Mafalda Sofia Pereira”.

Debruçando-se “sobre os termos utilizados na prática museológica”, tem como objectivo “dar a conhecer uma arte que, por contingências económicas e outras, se encontra cada vez mais em desuso”, apresentando “a ciência da molinologia através da sua arte e ofício, explicando os termos técnicos sobre os artefactos desta arte e integrando, igulamenrte, nas definições, citações de autores, que também se debruçam sobre este assunto.” De acordo com a co-autora, trata-se de “uma tentativa de dar um contributo à falta de um dicionário técnico de artes e ofícios, de modo a que a grande diversidade de vocábulos referentes ao património molinológico que são diferentes de região para região, possam ser facilmente acessíveis aos que lidam com a evolução da terminologia”

O Prefácio é de Maurício Teixeira Marques, à data Presidente da Câmara. Segue-se a “Introdução”, o “Glossário de Termos” e a “Bibliografia”. O livro tem 80 páginas ilustradas, em grande parte, com fotografias dos objectos existentes no Museu antes da remodelação. As fotos são de Amável Ferreira, Carlos Fonseca, Catarina Figueiredo, Fernanda Cabral, Luís Menezes, Valentim Oliveira e Varela Pècurto. Editado em 2001 teve uma 2ª edição em 2005.

A Joaquim Leitão Couto, que foi Presidente da Câmara de Penacova e, mais tarde, Assessor Cultural do Município, se deve a criação do Museu do Moinho Vitorino Nemésio, localizado no Lugar da Portela de Oliveira, em pleno perímetro florestal da Serra do Buçaco. Museu que se encontra instalado num espaço adquirido na década de oitenta pela autarquia a que se juntou, em 1980, o moinho doado pelos herdeiros de Nemésio à autarquia. A Câmara fez a sua recuperação, conferindo-lhe a funcionalidade de outrora. Ainda quanto ao Museu em si, e na linha da preservação da história dos moinhos de vento e água e da memória dos seus moleiros, o município de Penacova realizou, ao longo do ano de 2015, obras de remodelação e musealização, aliando modernidade e tradição, tendo a abertura ao público ocorrido em Fevereiro de 2016.
Um livro a consultar, um Museu e um Lugar a visitar!

David Gonçalves de Almeida


FICHA BIBLIOGRÁFICA /BIBLIOTECA NACIONAL DE PORTUGAL:
“Museu do Moinho Vitorino Nemésio: contributo para um glossário de molinologia” / Joaquim Leitão Couto, Mafalda Sofia Pereira ; fot. Amável Ferreira, [et al.]. – 2ª ed. – Penacova : Câmara Municipal, 2005. – 80 p. : il. ; 24 cm. – Bibliografia, p. 79-80
Link: http://id.bnportugal.gov.pt/bib/bibnacional/1775850

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