Tenho sentido o Primeiro Ministro muito ansioso, com a boca muito seca, com ar muito
cansado e com muitos tiques de intolerância (para não dizer com alguma raiva, em
substância).
Estes traços não auguram nada de bom, mas têm explicação…
Afinal o António ou é o político português que mais tempo tem de governo (é muito
traquejado; muito ligeiro, muito gingão e, como se sabe, muito, muito optimista) ou anda lá perto.
Foi Ministro de quase tudo, Ministro de Estado, quase Vice-Primeiro Ministro e Primeiro; se a isso somarmos o tempo de Deputado, de Deputado Europeu, Autarca, dá para dizer que vive
da política há muito, muito tempo, mas diz que é Jurista.
E aprendeu todos os “truques” e todos os modos de dar piruetas.
O mais interessante foi afirmar: “os portugueses não suportam mais promessas que não
possam ser cumpridas…o país não suporta mais a frustração de programas eleitorais depois
não cumpridos”.
O que bem releva o seu ar de artista, muitas vezes manipulador.
… Como vão dizendo as empresas privadas que estão em agonia e vão promover uma crise
financeira imensa, com danos colaterais imprevisíveis …
Na sua fé (estratégica) de tomar o poder no PS, pensava ele que ia ser um Dirigente com sorte;
que tudo lhe iria correr bem e que, quando quisesse, abandonaria a política com todo um País
a bater-lhe palmas, a elevá-lo ao pedestal.
Esqueceria que foi o número dois de Sócrates; faria passar a ideia de que nada conhecia
daquelas maroscas todas; de que nenhuma asneira fez nas pastas (muitas) que deixou chegar à ruína (Justiça e Administração Interna); passava a perna aos seus parceiros da geringonça e, após anos e anos de patrocínio de políticas de saque fiscal aos portugueses, entraria numa maré de franco optimismo: Sem dívida externa relevante; sem corrupção; com os trabalhadores silenciados; com os ministros amestrados; com as Empresas saudáveis e apoiadas e, também, com os rendimentos em subida rumo às médias europeias … e sem pobreza!
Quiçá estivéssemos perante uma genialidade que fosse exportada para cargos mais altos, mais internacionalizados.
Ora bem,
Nunca o António pensou no País real, na necessidade de se trabalhar, para poupar, no
sentimento de que a festa, quando é demasiada, cansa e provoca estragos severos, como já lhe aconteceu no momento em que foi pedir as “ajudas da intervenção externa”, que
esqueceu, entretanto.
Pensou na bazuca e agarrou-se a ela, qual tábua de salvação, para obter uma maioria absoluta que está a confundir com poder absoluto, mantendo no activo muitos sucessores…
Mas não pensou que o serviço da dívida (não abatida no tempo das vacas gordas) seria
insustentável a curto prazo; não pensou que um simples solavanco no custo do petróleo
sufocaria o nosso Povo e a nossa economia; não antecipou a subida exponencial dos juros;
nem teve o bom senso de prever que a inflação, um dia, chegaria, dando razão à teoria dos
ciclos económicos.
Agarrou-se com unhas e dentes a desculpas: à troika, primeiro; à pandemia, depois e à guerra, agora.
E como nenhuma reforma digna desse nome fez, no tal tempo, muito, colocou o País à beira de um ataque de nervos: sem justiça, sem saúde, sem educação, sem habitação, sem administração eficaz…
…mas com muita corrupção, muitos negócios a fazer, muita boa performance na captação de impostos, muito Presidente a mandar na ação governativa, muito pobre a morrer e muita gente sem já sorrir.

E com um ex-ministro (o Centeno das cativações que aconchegou num dos lugares mais bem
pagos do País, em termos públicos) a começar a puxar-lhe as orelhas.
E outro (actual) a confrontá-lo com estrondo.
!… Tudo o que pode deixar o António sem optimismo, quem sabe com vontade de ir embora…!

 

Luís Pais Amante

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4 COMENTÁRIOS

  1. Olá amigo, Dr. Luis, esse poema é muito especial, meus parabéns.
    O Antônio é um especialista e campeão em truques e piruetas.
    Está na hora de dizer BASTA, o povo já sofre de mais.
    Abraços

  2. Muito obrigado pelo comentário Dr. Luís Amante. Infelizmente o maestro da nossa vida é a personalização da incompetência em Gestão (lembramos que ele próprio diz que é jurista e não gestor) há 6 anos e meio a que se junta uma ideologia económica completamente desajustada à realidade atual do mundo democrático e civilizado. Mas a maioria dos portugueses que votaram nas últimas eleições, gostam da sua mestria e orquestra, mesmo quando o António é mais ministro dos SEUS negócios estrangeiros do que primeiro ministro de Portugal. A orquestra já toca sozinha, mesmo nunca tendo sido afinada, tendo uma audiência encabeça pelo presidente Marcelo que está mais preocupado em beijar o resto do público (ou o público) do que em criticar a cacofonia. E agora António? Não é melhor terminar o espetáculo e dar lugar a outro? Os bilhetes já estão caríssimos para assistir a tanto ruído que nos ensurdece.

  3. Bem, ou mal, nas últimas eleições legislativas, o povo português concedeu ao PS e ao seu secretário -geral, António Costa, uma maioria relativa que, dada a composição actual da Assembleia da República, até se pode considerar confortável.

    Ora estas eleições terão sido ganhas unicamente com base num orçamento feito em tempos de bonança e de expectável recuperação potenciada pelos auxílios europeus da chamada “bazooka”.

    A nível internacional, as ânsias imperialistas de Putin e a necessária reacção de parte significativa da comunidade internacional face aos desmandos por ele praticados na Ucrânia, originaram uma série de constrangimentos que deram origem à formação da tempestade perfeita que um pequeno país como Portugal, periférico e com finanças instáveis, vai ter que enfrentar.

    Entretanto, o PSD/PPD, com a indisfarçável mágoa de não ter conseguido deitar a mão aos fundos europeus da bazooka, mas com um vigor renovado pela tomada de posse (finalmente!) do seu novo Presidente, e respetiva equipa, desdobra-se em actividades oposicionistas, e a vuvuzela chegana, como de costume, não deixa de troar. O BE e o PCP executam as respectivas e costumeiras rábulas e a IL começa a perder os seus ímpetos ideológicos iniciais, porventura algo excessivos. E o resto, é o resto…

    Previsívelmente, começam a aparecer os casos. Desde logo, manifestou-se a crise adiada mas há muito anunciada no sector da saúde, que a Ministra da Saúde, ingénua e inexperientemente não soube prever e controlar. Ou, então, foi completamente atraiçoada pela falta de resposta das estruturas burocráticas que reinam nesta área, e que nada de bom conseguem trazer no sentido da melhoria dos cuidados de saúde.

    Sabem os caros leitores que, pelo menos em Lisboa e arredores, as consultas externas nos hospitais e centros de saúde são controladas por um relógio de ponto para o utente, que tem o dever de se apresentar meia hora antes da hora marcada e picar o ponto? E que se passar um minuto que seja, por que motivo seja, já não é atendido? Nem adianta ir ao balcão falar com os funcionários/as, que dizem logo que é máquina que manda…

    No Ministério das Infraestruturas, um ministro que não sabe controlar a sua arrogância nem a sua ânsia de protagonismo, cria uma das maiores confusões governativas dos últimos anos. Permanecer no governo, é um mistério que não se entende, a não ser que fique por lá a assar em lume brando para, um dia, ser substituído, ou ele próprio se demitir.

    Aberta que está a época da caça á Ministra da Saúde (Marta Temido), fazem-se os preparativos para a abertura solene da época da caça ao Ministro das Infraestruturas (Pedro Nuno Santos).

    Começam a correr rumores quanto a uma muito questionável atribuição dos fundos da bazooka europeia…

    Cabe a António Costa, finalmente e sem tibiezas, mostrar aquilo de bom de que é capaz.

  4. Com impostos ao nível dos países nórdicos e serviços (saúde, justiça, administração pública…) ao nível do 3º mundo, é de perguntar onde é enterrado o dinheiro do saque fiscal

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