Há bem poucos dias, Santo António, era o centro das atenções e, até, se recordavam orações e responsos, lendas e milagres a ele atribuídos! 

Não faltaram cantigas, marchas populares, vasos de manjerico e quadras pitorescas, feitas ao “correr da pena”…nem os belos arraiais cheios de luz e cor!

É um Santo festejado, diria, universalmente!

Ele nasceu em Lisboa de uma Família abastada, mas o que o encantou e tornou Santo foi, precisamente, o desprendimento dos bens, a simplicidades de vida, a humildade e a sabedoria! 

É um Santo bem português que honra os nossos altares e é muito amado pelo Povo que a ele recorre em momentos de dificuldade.

Mas, como o tempo não pára hoje, a figura central é São João Batista.

Reina de Norte a Sul do País. Muitas são as cidades, vilas e aldeias que o têm por Patrono. É o que acontece na minha Freguesia/Paróquia de São João Batista!

De novo, anda no ar o clima de festa!

Há tradições a cumprir: arquinhos e balões, cheiro a cravos e manjericos, a sardinha assada e febras…Ouvem-se cantigas à desgarrada, há tronos e cascatas a São João!

A alegria anda à solta, mas há lugares marcantes que têm uma forma muito sua de festejar! Uma delas é a cidade do Porto!

Quem nunca viveu esse clima não se apercebeu de como a multidão em festa é capaz de, em grande atropelo, conviver sem se machucar, respeitando a folia de uns e outros!

Nessa noite, misturam-se, nacionalidades, raças, credos, géneros, numa amálgama fraterna e brincalhona dançando e cantando, exibindo seus ramos de cidreira e os longos alhos porros com que vão perfumando as cabeças de quem por eles passa, numa perfeita harmonia em que a “pedra de toque” é, muito simplesmente, o convívio saudável!

Vivi várias vezes essas noitadas de São João no Porto! Inesquecíveis!

Numa delas ,eu e minha irmã, com outros primos, arrastamos, noite inteira, uns nossos comuns primos “brasucas” que estavam cá de férias, ruas sem fim, dançando e cantando, para enganar o corpo que ia perdendo energia, mas não a vontade de continuar a folia…Foi a cantiga contínua que disfarçou esse cansaço e levamos de vencida a noite. Foi mesmo a madrugada que nos adormeceu!…Levámos a “rusga” até ao fim! O fogo de artifício, ponto alto da noite, ainda nos enfeitiçou mais e encorajou a vivê-la em cheio.

Já lá não vou há anos, mas acompanho, sempre, pela televisão e revivo essa extraordinária romaria com saudade.

Percebe-se que ainda é genuína essa noite, mas soa que não é tão segura como já foi. Ainda assim, o São João do Porto é uma marca e uma vivência únicas!

Viva o São João! 

Esperemos, com saúde e alegria, o São Pedro (e Paulo), para encerrar as festas do “mês dos três rapazes”!

Venham eles!

Helena Marques

 

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