Que vergonha que eu sinto
Por viver num País assim, enlouquecido
Parado no luto do trânsito enfraquecido
Sem rumo
Sem aprumo
Sem valores
Quase sem dignidade
Que natureza pungente esquece a defesa das nossas crianças?
Das que morrem ao nascer
Quando a “Saúde” falha
Por obra dos sem saber
Das que choram sem comer
Enquanto a família ralha
Das que querem é esquecer
Que estão “por conta” do Estado
Nas suas Instituições de proteção
E olham pra rua sem sentirem condição
Ou calor do coração
Que falta de fortuna tem tanta gente, assim
Com promessa de cabaz
Que estão a “ficar para trás”
Nas costas desta civilização desenfreada
Emproada
Nas Escolas sem tutor
Nas creches dos sem amor
!…Ou nas migalhas dos indefesos com dor!

Luís Pais Amante
Telheiras Residence

Em memória da Jessica de Setúbal, que partiu antes do tempo.

Artigo anteriorProlongamento do apoio ao cabaz alimentar vai ser pago em julho e agosto
Próximo artigoPotencial da energia das ondas é “imenso”, mas faltam tecnologias “consolidadas”

4 COMENTÁRIOS

  1. Dizer o quê ? … Palavras eu tenho, contudo não consigo exprimi-las por estarem sufocadas pela revolta , pela tristeza que dói. Que dizer da insensibilidade destes seres ” humanos “que agem como se fossem animais selvagens numa selva de predadores ?
    Enfim … era para ser uma criança que deveria ser criada com todo amor, de acordo com Declaração Universal dos Direitos da Criança. Esta , como muitas outras , nunca saberão o que é isso.

    “Mas as crianças, Senhor, porque lhes dais tanta dor, porque padecem assim?”

  2. Como é triste verificarmos daqui, do Reino Unido, o que se passa no nosso País.
    Parece estar desmoronar

  3. Caem as trevas sobre uma sociedade quando no seu seio acontecem coisas como a horrorosa morte da Jéssica.

    E não adianta bater palmas quando o funeral a leva para a sua última morada, porque a sociedade, no seu todo, falhou estrondosamente a protegê-la dos perigos que a rodeavam. Inclusive quem está a bater palmas.

    Algo está mal, muito mal, numa sociedade, quando se repetem, com assustadora regularidade, situações como esta!

    É só relembrar a Valentina, na zona de Peniche, espancada e torturada até á morte pelo pai e pela madrasta, sabe-se lá porquê. É relembrar também a menina morta pelo seu pai, na zona do Seixal, como retaliação pela separação da mãe dela. É relembrar, ainda, as duas crianças afogadas pela mãe nas águas do rio Tejo, na zona de Caxias, porque não suportava a ideia de partilhar o poder paternal com o pai dela, de quem era vítima de violência doméstica…

    Pensemos que caldo de cultura é este em que vivemos e que proporciona ou, no mínimo, ignora, o aparecimento de quadros comportamentais como os que levaram a estas mortes bárbaras.

    As crianças, de todo, não constituem apenas mera manifestação da virilidade dos respectivos pais, nem podem ser a forma de as suas mães obterem reconhecimento ou aceitação social. E muito menos podem ser utilizadas em esquemas muito tenebrosos como aconteceu com a Jéssica.

    Com o devido respeito pelos seus problemas pessoais, que parentalidade é expectável de uma mãe que não vive com os seus quatro filhos anteriores, que estão espalhados pela família e instituições, e decide engravidar uma vez mais? E também que parentalidade podemos esperar dum pai que espanca, regularmente, a sua companheira grávida?

    O tão decantado “superior interesse da criança”, que tanto se invoca nos serviços sociais e nos tribunais, é muito mais do que proporcionar-lhe alimentação, vestuário, cuidados de saúde e de higiene e um teto para se abrigar. Desculpe-se-me o exagero, mas isso é o proporcionado a qualquer prisioneiro, ainda que condenado á morte.

    Portanto, o “superior interesse da criança” tem que ser muito mais do que isso. Tem que ser o proporcionar-lhe afecto, protecção, interesse e possibilidades de desenvolvimento físico e intelectual.

    Pobre Jéssica, que nada disto teve!

    Mas quantas mais Jéssicas há por aì?…

  4. Luís, ler o seu poema As nossas Jessicas é como encontrar uma forma de desabafar o quase indizível sentimento de decepção ao nos vermos frente à tanta desumanidade do humano. Ao mesmo tempo, suas palavras têm a força de nos fazer transcender a nossa revolta e lutarmos por um mundo melhor. Obrigado

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui