O projeto “Foz do Dão – A Aldeia Submersa” do Teatro Molinum – projeto pessoal da artista Sandra Henriques – começou em 2013 e tem como missão, dar voz aos antigos habitantes da aldeia da Foz do Dão fazendo permanecer a memória daquela aldeia que, na altura, seria a terra de cerca de 200 pessoas que deram tudo o que tinham em nome do progresso.
“Reconstruir e valorizar as memórias e histórias e perceber, através da experiência de perda dos que nela moravam, o real valor e sentido da comunidade, cultura, paisagem e até arquitetura de um espaço, para cada um de nós e para nós como um todo, é o grande objetivo desta pequena homenagem da União das Freguesias de Óvoa e Vimieiro aos ex-habitantes daquela aldeia”, adianta a responsável pelo projeto.
A Foz do Dão
No início da década de 80 com a construção da barragem da Aguieira, a aldeia da Foz do Dão foi engolida pelas águas do Mondego e Dão, acabando por desaparecer. À população foram oferecidas promessas de emprego e crescimento do turismo, reduzidas indemnizações e pequenos lotes numa rua da freguesia de Óvoa, em Santa Comba Dão.
Entidade e sociedade
A construção de barragens é uma alteração radical com consequências a nível humano, devido à perda do espaço individual e social do indivíduo. Com a submersão, há uma mudança rápida da vida das pessoas, da paisagem, do clima e da fauna e a flora.
Alargando um pouco o campo de visão, apercebemo-nos que este é um tema universal. Todos os dias milhares de pessoas são obrigadas a abandonar os sítios onde viviam, pelo progresso, por catástrofes naturais, por motivos legais, pela guerra.
O que é que muda quando nos tiram para sempre o nosso lar, as rotinas de todos os dias, os vizinhos, as paredes, os lugares?
Sandra Henriques (pequena biografia)
Licenciada em Teatro e Educação pela Escola Superior de Educação, e com formação em Canto pelo Conservatório de Música de Coimbra, têm-se dedicado ao teatro como professora, atriz e criadora. Natural de Penacova, nascida em 1989, trabalhou com Leonor Barata e Adriana Campos no Projeto d, deu formação no Festival de Teatro de Inverno de Maputo, a convite da Associação Girassol e, atualmente é uma das responsáveis pela Partículas Soltas, associação com sede em Sazes do Lorvão (Penacova) dedicada à promoção das artes, focada na arte teatral e com forte relação com a população e património local.
Em 2016 ganhou a Bolsa Jovens Criadores com o projeto “Foz do Dão – A Aldeia Submersa”, projeto este que surge em 2013 pela curiosidade e necessidade de compreender e documentar o lado emocional da perca de identidade.


