Quando olhamos com um olhar observador e atento, ajudados pelos outros sentidos e pela própria sensibilidade, damos conta da ” verdade” ou da “falsidade” do que vemos e ouvimos.
Nesta quadra que ora se vive – e refiro-me essencialmente à quadra natalícia -, damos, facilmente, conta de que se anda num “reboliço” imenso e desmesurado numa febre de anunciar a alegria.
A realidade é bem outra sem, contudo, querer generalizar.
O facto de se andar a sobrecarregar a “bolsa” de cada um, o erário público, a estafar o corpo com trabalhos extra e a acumular stress, vão-se esquecendo serviços essenciais e falham-se, até, compromissos…
Tudo isto para quê? Para “pintar ” a alegria, que, por ser tão exterior, não vai fundo ao coração! É, por isso, que se veem tantas pessoas de rosto fechado preocupado, cansado!… Quando riem ou sorriem não dá para convencer…
A Alegria verdadeira vem de dentro de nós, reflete o nosso estado de espírito, o modo como se enfrenta a vida, as dificuldades e problemas…
A propósito do tema vou recordar, com carinho, uma senhora, maior de 80 anos que carregava uma longa doença oncológica, intervenções cirúrgicas diversas, tratamentos de quimio, transfusões, internamentos e que passou até pelo desgosto de perder um filho adulto e, estando na reta final da sua vida, conseguia abrir um sorriso genuíno e repartir da sua alegria interior.
Quase já se arrastava, mas vinha vindo almoçar ao local onde eu costumava ir ao café. Essa mulher, multi resistente, esboçava, sempre o seu melhor sorriso e brincava com ditos engraçados e até “marotos”… depois, seguia para casa com um ar de quem se divertiu, esperando um novo dia e um novo encontro!
Já partiu! Ficou o vazio da sua alegria! Ela a marcou e por ela é lembrada!
Lições de vida! Vale a pena cultivar e apreciar a Alegria!
Um bom projeto para o Natal e para o Novo Ano!


