Isto de mexer em prateleiras tem as suas coisas… quando procurava o A Menina que
Roubava Morangos peguei, com desapego, neste que hoje vos deixo, comecei a folhear
e… pronto aqui fica, assim sem delongas que todos temos afazeres importantes, deixo-
vos com Danças e Contradanças de Joanne Harris. Uma britânica com sangue francês,
que já foi professora, que adora cozinhar e que, para gaudio de tantos, também adora
escrever e fá-lo muito bem. Hoje da Serra são dela as palavras que correm encosta
abaixo.
Joanne Harris

“Há sempre qualquer coisa que corre mal quando temos convidados para o jantar. Da
última vez, foi um cheiro estranho, um ruído seco e metálico vindo de algures de dentro
das paredes e a súbita aparição de um homúnculo pequeno e incrivelmente feio, que me apressei a empurrar para o triturador de lixo…”
Danças e Contradanças

SINOPSE
Este é o primeiro livro de contos da autora, que engloba vinte e duas histórias.
Em todos os textos que já li desta autora existe uma maliciosidade e uma perversidade
latentes em todos ou quase todos os personagens. Mesmo que não tenham nenhuma destas características a trama é tecida de tal forma que corremos o risco de ser
enganados… Cada linha, cada virgula podem ser ou não ser. Segundo a autora, na altura
da edição, 2004, este era o seu livro mais pessoal, onde mais seu foi vertido. Seu por ser
intrínseco ou por se ter apropriado nas suas interações humanas. Podemos ler de
“enfiada” ou ir digerindo pouco a pouco, já que cada história se encerra em si mesma,
abrindo portas às nossas. As situações retratadas são o resultado da imaginação
prodigiosa da autora mas remetem-nos sempre para alguma realidade pessoal que pode
ser física, psicológica, ou apenas inventada.
As personagens são demasiado extravagantes, podendo encontrar-se desde velhinhas perversas, adolescentes macabras até lobisomens frustrados. No meio
encontramos todo um leque de personagens/caricaturas, algumas tão banais que até dói nunca antes termos reparado nelas….
A combinação de situações opostas cria no leitor uma mistura de sentimentos
fortes. Nesta obra o grotesco, o macabro, o belo e o sedutor andam de mãos dadas. O
resultado final é muito perturbador, como um belo tango argentino dançado com o mais
sensual dos pares mas com o qual não poderá existir mais do que uma dança porque a
contradança é certamente horrível.
Boa semana… com livros!!!!











