Saudade Lopes

Depois de tantas vezes ouvir a nossa Filarmónica da Casa do Povo de Penacova, voltei a renovar a vibração de emoções, em todos os gestos e sons manifestados pelo maestro e seus músicos, no dia em que se comemorou o 61º aniversário da Casa do Povo de Penacova. Foi a interiorização de momentos únicos. Também o teatro com os seus atores, as suas vozes e a encenação com as nossas tradições vieram engrandecer a beleza deste dia de festa e de homenagens a alguns homens e mulheres, que se embrenharam em alguns períodos dos seus tempos livres para a continuação da existência desta casa. Esta tarde cultural foi muito enriquecedora para todos aqueles que se disponibilizaram a presentear todos estes artistas com as suas palmas. Sim, uma casa de presenças “meia cheia”. Ou por culpa da Covid, ou as pessoas não sabem valorizar os artistas da terra. Esses homens e mulheres que fazem arte, despendendo do seu tempo gratuitamente e, tantas vezes, com os seus próprios recursos financeiros, para poderem partilhar e oferecerem a elevação da Cultura da nossa terra.
Falando ainda deste evento na Casa do Povo de Penacova, no final das palmas, tivemos o relato dum grande músico desta filarmónica que, emocionado, descreveu o estado financeiro desta Associação, dizendo mesmo que, se nada for feito, entre o período de 2 ou 3 meses a Filarmónica ACABA. Sim, reforço a ideia: está na iminência de ACABAR.
Não têm tido apoios para dar continuidade a um trabalho de décadas, a um corpo que faz parte da identidade de Penacova. Todo o esforço dos seus diretores em adquirir equipamentos ou desenvolver actividades, por si só não chega, é preciso manter a escola de música para revitalizar a parte humana da filarmónica, para darem continuidade às homenagens de todos os seus fundadores e sucessores. Naquele grito de desabafo doloroso e ao mesmo tempo de paixão, este jovem implorou à Câmara Municipal de Penacova, que por favor os ajudassem a não fechar as portas. E agora o meu “grito” vai para todos aqueles profetas da maledicência, que falam e escrevem da cultura em Penacova como se as festas extravagantes de milhares de euros e umas fotos desenvolvessem essa mesma cultura. Lembremo-nos e façamos TODOS alguma coisa para salvar esta ou outras Filarmónicas, para que futuramente não façam parte apenas da nossa memória e dos nossos antepassados, mas também de todas as gerações vindouras. Pois, tudo isto representa o nosso país e só valorizando o nosso património cultural poderemos ter uma vila e até um país mais empoderado, perante tantos outros. Não deixemos perder a nossa essência e as nossas tradições.










Minha Cara Saudade,
Se é uma vergonha para Penacova deixar acabar a Filarmónica da Casa do Povo?
Claro que sim!
Com o fim da Filarmónica acabarão muitos sonhos de meninas e de meninos; ficarão no esquecimento da história muitas figuras que lhe deram corpo e que a valorizaram; … prejudicar-se-à inexoravelmente a nossa Cultura.
Pela minha parte andei anos a cobrir o déficit da Casa do Povo, ao que me diziam provocados pela Filarmónica.
Recentemente ajudei monetariamente outras actividades.
Entretanto, enquanto MordomoMor da Confraria, retomei a sua visibilidade nos Capítulos, com a ajuda superior do Joel.
Mas é um facto que as Instituições devem organizar-se de molde a não dependerem deste ou daquele!
E as Pessoas da nossa terra que se ocupam da maledicência podem/devem carregar as suas energias para não deixar morrer uma Filarmónica com essa história.
A política não pode -nem deve- chegar para se pagarem as facturas disto ou daquilo…
…do mesmo modo que as Instituições não devem deixar-se enterrar nas suas armadilhas.
E muitas vezes tudo é esquecido!!!
Um dia destes falaremos.