Falar ou escrever a palavra voluntariado leva-me, certamente, a pensar na expressão mais rica e mais humana vivida na face da terra pelos homens que se eternizam neste modo de vida e pelo qual merecem todo o respeito e gratidão.

Muitas das instituições só podem exercer os seus objetivos e as suas ações com o envolvimento de voluntários, pessoas livres, desprendidas do comodismo, desocupadas do seu ego, aquelas que constroem pontes de generosidade com o seu precioso tempo a favor de causas que afligem a sociedade, ou até mesmo o contacto com o outro a viver em estado de solidão.

Em 2013 foi criado o Grupo de Voluntariado Comunitário do Concelho Penacova, grupo responsável pelas actividades Comunitárias, que visa proceder à angariação de fundos, sendo o Peditório anual uma das ações mais exigente, trabalhosa e morosa; desde o início da identificação do cofre para o respectivo voluntário até ao final da contagem dos valores obtidos.

Neste contexto, vagueiam pelas nossas ruas do concelho, cerca de setenta voluntários à chuva e ao sol, “mendigando” uns euros em prol de um Bem Comum, para a prevenção duma doença terrível, que devasta e afeta grande parte da população. Esta entrega de cada voluntário traduz-se num dos atos mais dignos e mais sublimes para um território desprovido tantas vezes de amor ao próximo. Neste contexto de envolvimento de um concelho inteiro, daqueles que doam e dos voluntários que carregam a “caixa” de porta a porta ou em qualquer sítio frequentado pelas pessoas, torna-se meritório que as entidades locais sejam uma das parcerias mais importantes no acolhimento e na ação desta e doutras iniciativas sociais.

Os espaços de uma Câmara Municipal e as pessoas que o gerem não têm o direito de fechar as portas aos munícipes que procuram solidariamente ajudar a desenvolver e promover a saúde para todos.

Todos os requisitos de responsabilidade solicitados pela LPCC ao grupo de voluntariado têm sido prestados com a dedicação de todos, muito embora a parte logística tenha sido pouco animadora, e com muitos constrangimentos, sempre em funcionamento como saltimbancos de sacos e caixotes com vários materiais transportando-os nos seus próprios carros. O grupo ao longo destes anos, para dar cumprimento à missão a que se propôs, passou pelo salão Paroquial de Penacova, pelo Centro de Saúde, pela minha moradia (estadia mais alargada), e pelo gabinete do Professor, na antiga escola Primária, partilhado com o grupo de Dadores de Sangue, sem obter qualquer conforto ou privacidade.

Neste ano de 2021 e pela primeira vez, em nome de todas as pessoas que direta ou indiretamente vão ter estes quase 6.000 euros, agradeço ao novo Executivo pela sua grandiosidade na cedência duma viatura e respectivo motorista para transportar alguns dos cofres a aldeias mais longínquas, bem como a escancarar todas as portas para que os voluntários se sentissem confortáveis nestas manhãs de nevoeiro, próprio da época em que estamos. Um bem haja a todos os que valorizam e promovem o bem estar das pessoas desta comunidade.

 

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