Nascido em S. Pedro de Alva, foi em Arganil e no Porto que se notabilizou profissional e politicamente. Todavia, foi na qualidade de penacovense, conterrâneo de António José de Almeida e combatente antifascista que usou da palavra em nome do Povo de Penacova na inauguração do busto daquele estadista.

Filho de José Marques e de Maria Cândida da Cunha Ralha, proprietários, Eduardo Marques Ralha nasceu em S. Pedro de Alva no dia 17 de Setembro de 1907. O pai era natural desta freguesia e a mãe de Sail (S. Martinho da Cortiça). Em 1933 casou, na cidade do Porto, com Maria Cândida Santos Rosa, daí natural.

Licenciou-se em Direito na Universidade de Coimbra, com altas classificações. Convidado a fazer o Doutoramento não o concretizou, por se ter empenhado no exercício da advocacia e na oposição política ao Estado Novo.

Começou por advogar em Arganil onde se impôs “pelas suas qualidades de carácter e pela participação activa na vida local.” Foi figura preponderante na Sociedade Recreativa Argus, nos Bombeiros e no Grupo Desportivo Argus. O campo de futebol de Arganil tem ainda hoje o seu nome.

Em 1939 fixou-se no Porto, constituindo escritório de advogados, na Rua Rodrigues Sampaio, com António Macedo, Carlos Cal Brandão, Mário Cal Brandão e Luís Caseiro. Este espaço foi, nos “anos negros do fascismo” um centro de grande actividade política da Oposição Democrática.

Eduardo Ralha foi um dos promotores da realização no Porto, da apresentação do Relatório, aprovado a 8/10/1945, no Centro Republicano Almirante Reis, em Lisboa, que deu origem ao MUD (Movimento de Unidade Democrática). Desse movimento foi um dos principais líderes, passando a participar activamente em todos os actos eleitorais e a envolver-se, juntamente com aqueles colegas de escritório, nas candidaturas presidenciais de Norton de Matos, Quintão Meireles e Humberto Delgado.

Nas eleições de 1953 foi candidato da Oposição Democrática à Assembleia Nacional, pelo círculo do Porto, tendo na ocasião proferido uma conferência no Rádio Clube Português, intitulada “Porque sou candidato da Oposição”.

Quando Presidente da República (28/9/1986), Mário Soares descerrou na rua Rodrigues Sampaio uma lápide evocativa com os seguintes dizeres: “EM MAIS DE 30 ANOS DE DITADURA, O 1º ANDAR DESTE PRÉDIO FOI CENTRO DE RESISTÊNCIA ANTIFASCISTA DE COMBATE PELA LIBERDADE.COM A PRESENÇA DO PREDIDENTE DA REPÚBLICA MÁRIO SOARES, SE PRESTA HOMENAGEM A ANTÓNIO MACEDO, CARLOS CAL BRANDÃO, EDUARDO RALHA, LUÍS CASEIRO E MÁRIO CAL BRANDÃO.”

Ao nível da Ordem dos Advogados, foi Presidente do Conselho Distrital de Coimbra (1935-1937), Vogal da Comissão Distrital do Porto (1945-1947) e membro do Conselho Superior da referida Ordem de 1954 a 1962.

No Porto presidiu também ao Clube Fenianos Portugueses. Fundou, juntamente com outros intelectuais a Associação Cultural “Argus” e publicou várias obras de Direito Civil e Direito Comercial.

Apesar de mais ligado a Arganil e ao Porto, Eduardo Ralha afirmou-se como personalidade de craveira nacional. Foi enquanto portador desse estatuto, mas igualmente como Penacovense e conterrâneo de António José de Almeida, que na inauguração do busto deste estadista (5 de Outubro de 1976) usou da palavra em nome do Povo de Penacova.

Registou o jornal Notícias de Penacova que “este orador, com a clarividência” que lhe era “peculiar”, iniciou o seu discurso, afirmando que aquela cerimónia, sendo “motivo de honra e legítimo orgulho para o concelho” trasvazava o plano local na medida em que se estava perante o reconhecimento de “uma Glória Nacional.”

“Quando se der sentido á trilogia Liberdade, Igualdade e Fraternidade, seremos dignos continuadores da geração de António José de Almeida e estaremos então a prestar-lhe a mais significativa homenagem” – afirmou ainda Eduardo Ralha, ovacionado com “calorosos aplausos”, sublinhando “a eloquência do orador.”
Faleceu no dia 19 de Maio de 1988 na freguesia da Cedofeita, cidade do Porto.

David Gonçalves de Almeida

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1 COMENTÁRIO

  1. Boa noite,

    Poderia-se-ia dizer ainda que, em 1973, já debilitado pela esclerose múltipla de que padeceu a partir de determinada altura, foi um dos fundadores do Partido Socialista Português, tendo vindo a ser agraciado com a ordem da liberdade pelo então presidente da república Mário Soares.

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