Rui de Carvalho Castro Pita, filho de Alberto de Castro Pita e de América Martins de Carvalho, nasceu em Coimbra no dia 14 de Julho de 1916.

Frequentou o ensino primário em Penacova e no Liceu D. João III prosseguiu os estudos até entrar no Curso de Engenharia Civil na Faculdade de Ciências da Universidade de Coimbra, onde fez os Preparatórios. No entanto, será na Universidade do Porto que se licenciará em 1944.

No final da década de 40 iniciou a sua actividade profissional, por conta própria, no sector da Construção Civil. Em 1964, juntamente com outro sócio constituiu a empresa “SOLUM-Construções de Coimbra, Lda.”. Esta firma, depois de ter comprado a Quinta de S. Miguel, construiu nesse mesmo local o primitivo “Bairro da Solum”, seguindo um novo modelo de urbanismo assente em princípios modernistas, com a construção de tipologias de habitação em altura. A este projecto se dedicou até ao final da vida.

A sua ligação a Penacova sempre foi para além das ligações familiares. A sua mãe era filha de Joaquim Augusto de Carvalho e de Raimunda Martins de Carvalho, personalidades que marcaram Penacova no seu tempo. O seu pai, na Advocacia, no Registo Civil e principalmente na Política sempre manteve uma relação muito próxima com Penacova.

“Às amizades de infância e juventude” – conta a sua filha, Dr.ª Rosa Maria Castro Pita – “foi juntando muitas outras, em especial os ‘veraneantes’ que passavam férias em Penacova na Pensão Avenida, na Pensão Viseu e no Parque de Campismo. Possuidor de um espírito organizado (que herdou da avó Raimunda) e agregador de vontades e promotor de sã camaradagem, foi organizando festas culturais, populares e desportivas.” De referir também a dinamização, juntamente com a esposa, desde muito cedo, de um grupo de teatro amador. Desses tempos, ainda hoje se recordam nomes como a “Irene da Farmácia”, a “Gina da Pensão Avenida” e muitos outros.

Mas a sua acção não se ficou por aí. Juntamente com Carlos Coimbra Simões Dias Leitão, Eduardo Pedro Palma Viseu e Alberto Malva Cardoso, fundou a Sociedade de Propaganda e Progresso de Penacova. Foi no Salão dos Bombeiros, a 16 de Setembro de 1969, que esta Comissão Executiva iniciou funções. A SPPP abriu a sua sede na Casa da Freira, doada àquela sociedade por Fernanda de Melo Leitão, dona da Quinta da Ribeira.

A esta Associação se deveu, na década de 70, a criação do Rancho Infantil, divulgador de danças e cantares tradicionais, o ressurgimento da Filarmónica, o Parque de Campismo (em parceria com a Federação Nacional de Campismo e Caravanismo), a Praia Fluvial do Reconquinho (com auxílio da Câmara), a Estrada do Penedo do Castro, as Festas da Vila (com o patrocínio da Câmara) e tantas outras iniciativas.

As Festas em favor de instituições de beneficência incluíram muitas vezes nos seus programas a realização do Rali de Penacova, ou melhor, de Provas de Perícia, no Largo do Terreiro,  em colaboração com o Clube Automóvel do Centro de que foi sócio fundador (em 1966) e o Concurso de Pesca Desportiva (organizado pela Casa do Povo). Festas onde actuava muitas vezes Tonicha, que também era sócia da Sociedade de Propaganda, bem como seu marido, João Maria Viegas, etnólogo. A animação de rua chegou a ter a actuação de Gigantones de Viana do Castelo que a expensas de Rui Castro Pita vinham a Penacova. Também por ocasião de umas dessas festas, Rui de Castro Pita pediu ao seu amigo António Fernandes dos Santos (artista plástico que assinava TOSSAN) que criasse o inconfundível cartaz sobre Penacova, que todos conhecem com a legenda “Penacova, zona de turismo a 25 km de Coimbra”. Cartaz que aparece numa publicação de Oliveira Cabral, do grupo “Amigos de Penacova” (que foi o embrião da SPPP).

A revitalização da romaria do Monte Alto e da Festa de Nossa Senhora da Guia, bem como da Feira de Penacova e a promoção do folclore regional foram outras tantas iniciativas.
Ao nível do Desporto, além da Pesca Desportiva, funcionou no Reconquinho uma Escola de Natação para crianças. Também o ski aquático, o remo e o mini-basquetebol foram modalidades que trouxeram vida e animação a Penacova. É justo recordar também a realização anual de um Magusto, oferecido por Rui de Castro Pita à população de Penacova, momento privilegiado de convívio, onde todos, independentemente da sua condição social, podiam participar.

Outros momentos de confraternização passavam pela realização de Jantares de Penacovenses e Amigos de Penacova, em Lisboa e no Porto. Ficou célebre o jantar que se realizou no dia 13 de Dezembro de 1969 no restaurante “Tricana da Barra”, em Carcavelos, juntando cerca de oito dezenas de pessoas e onde se falou da criação da “Casa de Penacova em Lisboa”. Usando da palavra, Rui de Castro Pita “exortou à união de todos os Penacovenses e Amigos de Penacova para que dessa união resultasse o desenvolvimento de todo o concelho”, escreveu o “Notícias de Penacova” de 3 de Janeiro de 1970.

Perguntava o mesmo jornal, alguns dias depois : “Porquê só agora se está passando do estatismo das ideias à dinâmica da acção? Foi necessário que aparecesse alguém em quem acreditar […] que dê garantia de pôr, acima de tudo, os interesses de Penacova. Referimo-nos, é claro, ao Eng.º Castro Pita […] que pelo amor que tem a Penacova, é, sem receio de contestação, o líder ideal. […] Penacova precisa do Eng.º Castro Pita, do seu saber e da sua competência, da sua capacidade de iniciativa e da sua dedicação, do seu entusiasmo e força de espírito!”

Com o 25 de Abril, Rui Castro Pita, integrará a 1ª Comissão Administrativa da Câmara Municipal. Dela igualmente faziam parte Adelaide Simões, Américo Simões, António Coimbra Soares, António de Sousa, Artur José do Amaral, Artur Manuel Sales Guedes Coimbra, Fernando Ribeiro Dias, Joaquim Manuel Sales Guedes Leitão, José Marques de Sousa, Manuel Ribeiro Santos e Teófilo Luís Alves Marques da Silva.

A Comissão tomou posse a 2 de Maio e de entre os seus elementos foi escolhido para presidir à mesma o Dr. Teófilo Luís Alves Marques da Silva, ficando também Rui Castro Pita com funções executivas de maior responsabilidade. Demissionária a partir de Agosto de 1975, aquela comissão continuou a gerir o Município até 24 de Abril de 1976, tendo Castro Pita assumido, por alguns períodos, interinamente, a presidência, digamos assim, da Câmara Municipal. Terá sido nessa qualidade que o Eng.º Rui Castro Pita liderou o processo de colocação no Largo Alberto Leitão de um busto de António José de Almeida, que foi inaugurado em 5 de Outubro de 1976. Terá feito os contactos junto do escultor conimbricense Cabral Antunes e também junto da filha daquele estadista, que já em 5 de Outubro de 1974 estivera presente na homenagem e colocação da primeira pedra daquele monumento.

Por diversas vezes, em especial através da imprensa local e mais recentemente das redes sociais, tem vindo a lume a questão da falta de reconhecimento público do Município ou mesmo da comunidade penacovense em geral. Parece ser consensual que o Eng.º Rui de Castro Pita merece uma condigna e sentida homenagem da sua terra, mesmo sabendo que faleceu já lá vão 33 anos (31 de Maio de 1988). Nunca será tarde para evocar este ilustre penacovense, cujos restos mortais repousam no cemitério da Eirinha, na sua amada Penacova.

David Gonçalves de Almeida

 

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3 COMENTÁRIOS

  1. Rui de Carvalho Castro Pita, nasceu no dia 14 de Julho de 1916.
    Uma pequena rectificação, tão somente por rigor informativo, que em nada deslustra ou retira qualquer mérito a esta peça.
    Os meus melhores cumprimentos.
    Pedro Castro Pita

  2. Boa tarde Caro Pedro Pita.
    Já rectificámos de acordo com a sua indicação.
    Obrigado pelo contributo.
    Atenciosamente.

    Pedro Viseu

  3. Conheci muito bem o Eng.º Castro Pita. Estive a chefiar a Repartição de Finanças desde Junho de 1971 a Fevereiro de 1979 e trabalhei aqui com os meus grandes amigos Alberto Malva Cardoso (o da adega da liberdade… onde bebi uns canecos) e o tesoureiro Fernando Ribeiro Dias, estes já falecidos, infelizmente, e o último mais recentemente. Trabalhei também com o Eduardo Pedro Palma Viseu na Repartição, que também que já partiu…
    Enfim, é a vida.
    Nunca esqueço os belos momentos que passei em “Penacova a Linda”, como era apelidada pelo tesoureiro Fernando Ribeiro Dias.
    Fui também muito amigo e sou ainda, do Peça da Tesouraria. Também conheci bem o Laurindo da Pensão e do café Panorâmico… Bons tempos.
    Quando estive em Penacova ainda tentei que a televisão pública nos interlúdios mostrasse panoramas de Penacova, mas o patrão Ramiro Valadão não demonstrou um interesse por aí além para que tal sucedesse.
    De vez em quando ainda vou aí, mas já poucas vezes, pois a idade de quase 85 primaveras não me permite grandes saídas do meu ninho.

    Um beijinho grande à camarada Rosa e desejos de rápido restabelecimento da maleita de que padeceu.

    Francisco Ribeiro Nunes

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