Já não voto em Penacova há muito muito tempo. Ninguém me pediu opinião alguma, e não me sinto com autoridade para opinar publicamente acerca de algum assunto relacionado com o concelho de Penacova.
Sempre acompanhei, apesar disso, a atividade política local nesse concelho com mais atenção do que a de qualquer outro sítio. Mas depois de ver o debate através da Mundial (abraço para o César!) tenho de dizer que me custou ver o Pedro Coimbra recorrer a um discurso de ofensa ao Álvaro Coimbra. Posto isso venho aqui manifestar como ex-penacovense e sem qualquer interesse, a não ser emocional, nas eleições nesse concelho essa minha desilusão.
Durante anos passei muitas horas e diretas com o Álvaro a fechar as edições mensais do Jornal de Penacova (numa primeira fase também com o António Henriques). Os conteúdos compunham-se quase sempre nessa última noite. Era um esforço colossal para quem, no dia seguinte, tinha de regressar aos seus trabalhos mesmo sem ter passado pela cama. E afinal havia sempre uma gralha ou outra que só era detetada quando o jornal já estava na mão dos leitores (eu, dos dois, era mais hábil a deixá-las passar).
Surgiu durante uma fase da história do Jornal a hipótese da empresa que tínhamos criado, abrir jornais noutros concelhos. Lembro-me perfeitamente do Álvaro se opor. Para ele o foco era Penacova.
Mas o que quero dizer e sublinhar hoje é que o Álvaro nunca insultou ninguém: quem o conhece como eu conhecia durante vários anos (ombro a ombro literalmente), sabe que não o faz nem em público nem em privado. Discordar e sugerir não é insultar. Dizer que o candidato Álvaro Coimbra no passado mais ou menos recente escreveu textos insultuosos é, no mínimo, injusto (o autor desses textos não precisa nada que eu o diga, mas eu digo).
O Álvaro podia hoje ser uma estrela da informação da RTP sem dúvida nenhuma, e trocou essa vida seguramente mais confortável por viver aí e agora, finalmente candidatar-se à presidência da câmara. E claro nunca perdeu de vista a ideia que todos temos: este é um belo sítio para se viver, mas poderia ser muito melhor. Mas enquanto essa ideia não passava muitas vezes das conversas de café, o Álvaro agiu sempre nesse sentido com as possibilidades que tinha ao dispor. Já na altura, eu próprio, ao ver o empenho que ele tinha por essa terra me pus várias vezes a pensar (acho que nunca comentei com ele): “O Álvaro daria um bom Presidente da Câmara”.
Tenho um respeito grande sobre o trabalho de outros políticos nesse concelho como é caso o Eduardo Ferreira (que vou seguindo), mas atendendo às possibilidades reais de eleição para presidente da câmara votaria sem dúvida alguma no Álvaro.
Alípio Padilha












