Num tempo em que os Direitos Humanos estão a ser violados com uma simplicidade assustadora, em que mais de metade da população de um país teme pela sua qualidade de vida, ou mesmo pelo direito à sua vida corri ali ao meu baú e achei um livro velhote mas sempre actual. 

A violação dos Direitos Humanos deveria ser uma causa mundial mas não é. A saída, tão atabalhoada como a entrada, das forças de ocupação do Irão está a fazer muita gente teclar com fúria, raiva, impotência, ódio e sei lá quantos sentimentos mais, mas tudo isso vai passar. Basta que o Ronaldo pense em fazer uma marquise algures e todas as paixões (portuguesas pelo menos) se voltarão para aí com o mesmo ímpeto. Mas no Irão a vida de milhares de mulheres e meninas via ser virada de pernas para o ar e os seus direitos enquanto seres humanos serão esquecidos e passarão a ser escravas de um sistema putrefacto e imundo e o resto do mundo vai continuar a assobiar para o ar. Num ou outro apedrejamento publico de uma mulher até à morte, por ter sido violada por exemplo, os teclados indignados voltarão a manifestar-se mas será isso, só isso…

Hoje da Serra correm palavras que falam de pessoas e sua integração numa sociedade diferente daquela em que estamos inseridos, onde os direitos das mulheres ainda são pouco firmes e onde o sistema de castas, ainda que legalmente proibido, continua a atropelar pessoas. Deixo a correr palavras de Arundhati Roy e O Deus das Pequenas Coisas.

Arundhati Roy

O Deus das Pequenas Coisas

“…,quando a vida parecia cheia de Princípios e Sem Fins e Tudo era Para Sempre, juntos Esthappen e Rahel consideravam-se como Eu e separadamente como Nós.”

Sinopse

A história desenrola-se na Índia dos anos 60. Conta-nos a história de dois irmãos gémeos, Estha e Rahel, inseridos numa sociedade muito rígida. Estas crianças são filhos de uma mulher, que aceitou o primeiro pedido de casamento por o seu pai não ter conseguido juntar um dote capaz, e de um homem alcoólico e muito violento. Aos sete anos são separados como consequência do divórcio dos pais. Ninguém se importou muito com a tragédia gerada na vida dos gémeos por essa separação. É à volta deste acontecimento que as dores familiares são desvendadas e é compreendido o impacto que cada decisão tem bem como as consequências que surgem nos futuros. Se a posição social da família já era pouco boa, com o divorcio a mãe de Estha e Rahel vai passar para o último dos degraus das castas, os intocáveis. Por arrasto os filhos vão também 

Ao ler esta obra o leitor vai percorrer o longo caminho das castas indianas e as apertadas regras sociais, em que, cada um ocupa apenas o lugar para/em que nasceu ou para o qual a sua conduta social o empurrou. 

Os dois gémeos vivem a sua vida como se fossem apenas um, cada um deles sente e sofre como o outro e pelo outro. Toda a obra é uma viagem interior com as alegrias e frustrações de cada um e dos dois. Ao longo do texto vai-se acentuando a carga erótica que explode de uma forma sabiamente apagada. 

Boa semana com livros!!!

Anabela Bragança

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1 COMENTÁRIO

  1. Quer-me parecer que que a recomendação para a leitura do livro não necessita lembrar o inferno que as mulheres afegãs se preparam para reviver, ainda para mais quando se confunde o Irão com o Afeganistão. Uma pequena coisa…

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