Acordar de manhã e espreguiçar
Comer os flocos e poder espirrar
Pegar no elevador, sem medo, e descer
Carregar no botão da ignição do carro e senti-lo a gemer
Abrir o portão da garagem e vê-lo subir … e depois escorrer
Entrar no escritório
Ver gente contente e dizer bom dia
Sentar na cadeira
Cheirar papéis e lambê-los sem fobia
Atender o telefone e ouvir conversas
Fazer contas e notas e enviar as peças
Parar
Olhar
Permanecer inebriado pela beleza da vida a pulsar
Curtir
Sorrir
… abraçar os filhos e comprar cadilhos …
Ir ao Graça comer bitoque
Depois, vir para a rua e olhar para elas bem no decote
Correr com a Mulher prós infantários em modo de avós
Afagar os netos nas suas cabecinhas tontas
Trazê-los de volta para casa e ver pocahontas
Chegar ao fim do dia cansado fisicamente
Mas com o coração cheio de verão, alegremente
Daquele cuja imagem nunca nos deixa sós
… e as papas espalhadas na textura
Como se fosse uma bela pintura
E as fraldas à solta
E a casa revolta
Desarrumada, muito, claro que sim
… o que agora, não tanto, enfim!
Luís Pais Amante
Telheiras Residence
Com saudades de nós todos, juntos, sem amarras.

Caro Luis como dizia o meu avô, sobrevivente de La Lis , temos muito para contar e isso preocupa. Mas estamos vivos; e conheco gente que já morreu, mas sao os unicos que não sabem! Grande abraço.
Luís, se de um lado o mundo hoje nos cerca
de temor e de tantos nãos, vc com suas palavras não se deixa amordaçar, intimidar.
Suas palavras voam em plena liberdade levando-nos juntos para sorrir, rir, refletir, emocionar e sonhar.
Obrigado, Luís,grande poeta Penacovense.
Como é bom recordar o passado! Podemos dizer que é voltar a sentir e abraçar a vida que, dia a dia, hora a hora, passa por nós sem darmos pelo momento que vivemos.
Um abraço
Linda fotografia do nosso atual dia a dia.
Parabéns Luís. “ Chegar ao fim do dia cansado fisicamente
Mas com o coração cheio de verão, alegremente“ e gratos por apesar de tantas restrições não termos os mísseis a baterem-nos à porta. Bjinho 👏👍
O Pé na cova
(Agora pé no covid)
Sempre jazeu ali
O portal do além nasce entreaberto
Eu quero é o outro Pé
Pé na tábua
Pé na vida
E mão no coração
Um relato belo e singelo da memória.
Oxalá voltemos a poder viver semelhante glória.
Beijinho, Dr. Luís Pais Amante