Nesta minha crónica de hoje, vou continuar com o tema Para uma Velhice de Qualidade e apresentar-vos mais alguns elementos que podem ajudar a desenvolver uma velhice de qualidade na perspectiva de Herminie Louise Roth.

Para quem não assistiu à minha última rúbrica, recordo que em 1986, Herminie Louise Roth, uma senhora suíça encontrava-se com os seus 100 anos, cheia de vigor e com autonomia física. Senhora culta, que fora professora e secretária em países de vários continentes e que dirigira a instituição de convalescença “ Vie et Santé”, na Argélia, durante 7 anos, apresenta-nos o seu testemunho, resultante de observações que fez numa Estrutura Residencial para Idosos, na Suíça. Esta idosa já falecida dizia que “ Não tenho segredo algum de longevidade. Mas tenho uma linha de vida, um estilo de vida. A vida permitiu-me conhecer muitos meios e as mais variadas espécies de situações. “ e diz mais: “ Uma velhice de qualidade não é um presente. É preparada com muito tempo de antecedência. A velhice de qualidade não é apenas um período de vida, é também uma dimensão de vida. É o resultado de uma convicção e do esforço de vontade.  É um estado de espírito. E também uma transposição, uma sublimação dos interesses materiais para os valores morais, espirituais e eternos.

O irreparável ultraje dos anos continuará a ser sempre uma fonte de sofrimento. Sem uma atitude positiva do espírito, sem uma disciplina mental e espiritual, a velhice pode ser desmoronamento, uma tragédia.”

E com esta visão da velhice , deixou-nos alguns elementos que podem ajudar a desenvolver uma velhice de qualidade. Na rúbrica anterior, falei nos seguintes elementos:

Contra a concentração em si próprio e recordo como exemplo, entre muitos:

– Aceitar com contentamento o que não se pode mudar nem evitar. Não ruminar as suas preocupações, as suas dores, as suas decepções, as suas infelicidades.

Em contacto com os outros  e deixo como exemplo, entre muitos:

Vigiar as reacções do coração e da idade, para lhes dar uma dimensão conveniente, razoável. Evitar os excessos emotivos, afectivos, nervosos. Evitar também o desperdício de sensibilidade.

Hoje, e dando continuidade ao seu testemunho, deixo os outros elementos elencados por Herminie Louise Roth e que passo a citar:

Organizar a vida

Organizar a sua vida. Ter um programa para não ficar sobrecarregado, sob pressão;

Saber ocupar o tempo descontraidamente;

O desgaste do corpo pode afectar o bom discernimento. Perde-se o sentimento das proporções. Deformam-se os factos;

Bagatelas, futilidades tornam-se montanhas e corre-se o risco de fazer hemorragias nervosas;

Nunca perder essa maravilhosa primavera do espírito. O semblante que oferecemos aos outros reveste-se também de poderosa influência;

Gozar todas as alegrias do presente, mesmo pequenas, tendo em conta que todas as alegrias terrestres são imperfeitas;

Aprender a viver com as suas enfermidades.. O corpo tem o direito de se sentir cansado e gasto, depois de tantos anos de serviço. É normal. Não exagerar as suas enfermidades, nem aproveitar-se delas para atrair favores;

Fugir da inveja como um veneno;

Um velho agressivo é como uma silva cheia de espinhos, pois põe a sua roupa às avessas e mostra todas as costuras, o que não é nenhuma virtude;

Mostrar-se amável e disponível para prestar serviço, mas não ser servil;

Não contar o que lhe falta; sobretudo, não fazer disso um recital;

Alegrar o espírito. Enquanto é possível ainda fazê-lo, desembaraçar-se das coisas inúteis;

Desprender-se. Liquidar os seus problemas. Sendo necessário, tratar da sua sucessão; Deixar as coisas antes que elas vos deixem.

Cultivar o espírito

Lembrar-se de que a qualidade da velhice depende da reserva acumulada ao longo dos anos no espírito, na alma e no coração;

Ver menos os outros é por vezes melhor do vê-los demais;

Se alguém tem reacções desagradáveis não lhe manifestar antipatia;

Respeitar a dignidade da pessoa, seja qual for o seu estado. Salientar as enfermidades, as anomalias pode fazer sofrer;

O silêncio também é uma solução;

Escrever uma lista dos seus defeitos pessoais. Esta intropecção pode ser salutar;

Continuar a cultivar o espírito. Estar em dia com a actualidade. Manter os pés no chão para a vida presente, mas julgar as coisas desta terra à luz da eternidade.

De facto, estes elementos são no testemunho Herminie Louise Roth, já falecida, muito importantes para que todos com as devidas adaptações, possamos nos preparar para uma velhice com qualidade.

Termino esta crónica com um pensamento de Torres Pastorinho que diz: Não tenha medo da velhice: a alma não tem idade e a mente não envelhece“.

Rosário Pimentel

 

Artigo anteriorGNR realiza operação de fiscalização a veículos pesados a partir de segunda-feira
Próximo artigoCIM Região de Coimbra prepara oferta de transportes públicos para o regresso dos alunos do secundário

DEIXE UMA RESPOSTA

Por favor digite seu comentário!
Por favor, digite seu nome aqui