O Restaurante ‘O Casimiro’, localizado no Silveirinho [União de Freguesias de S. Pedro de Alva e S. Paio de Mondego] é um negócio de família, onde todos (Casimiro, Alice, Nuno e Ana) dão o seu contributo diário. Remonta a 1978, num formato mais rudimentar, tendo evoluído, em 1982, para um registo próximo do atual. Além dos membros da família, a casa conta, no momento, com cinco funcionárias.
Trata-se de um reconhecido e consolidado ícone gastronómico do Alto Concelho em particular e do Concelho de Penacova em geral, bem como o embaixador destas terras além fronteiras, atraindo para a degustação das suas tradições inúmeros visitantes.
No contexto da reflexão desta semana, sobre o teletrabalho, o Penacova Actual conversou com a Ana Sousa, mais ligada ao negócio do restaurante. Deixamos aos leitores o registo das suas impressões.
Para termos uma ideia mais clara dos impactos deste tempo, partilhe connosco qual é o perfil do vosso cliente habitual? O que faz, donde vem, é diário ou ocasional, etc…?
O perfil do nosso cliente diário semanal é o trabalhador quotidiano dos mais variados ramos, que escolhe a nossa casa para a sua refeição de modo individual ou em grupo. Trata-se de uma população flutuante, nunca fixa, que usufrui da nossa proposta de serviço adaptada a essas circunstâncias e que se centra em pratos mais económicos.
Ao fim de semana altera-se o perfil do cliente que nos procura e também nós adequamos o nosso serviço. Trata-se de um cliente mais local, que se dirige à nossa casa habitualmente mais integrado num contexto familiar. As expetativas já não são as do cliente de passagem, que pretende qualidade, rapidez e preço convidativo. E a nossa oferta variada pretende responder aos desejos de cada tipo de cliente.
A restauração tem sido um setor bastante afetado por este período. Além dos óbvios impactos financeiros, que outros constrangimentos trouxe este tempo?
O grande constrangimento deste período foi, sem dúvida, a diminuição de receita, associada ao receio normal ligado às questões de saúde.
Em relação a questões como a hipotética desabituação dos clientes, não sentimos esse problema. Pelo contrário. No final do primeiro confinamento até sentimos uma certa ânsia das pessoas terem novamente a possibilidade de regressar ao restaurante.
Como a nossa opção passou sempre por manter o serviço, em regime take away, as pessoas não perderam o hábito de se deslocar até nós e usufruir do nosso serviço.
Do ponto de vista comercial, é capaz de encontrar alguma virtude neste período?
No meio das dificuldades e problemas, pessoais e comerciais, que este período pandémico trouxe às nossas vidas, a única virtude que sou capaz de sublinhar é a valorização do serviço de ‘take away’ como aposta mais clara e evidente que habitualmente. O facto de não termos alternativa levou-nos a perceber os aspetos interessantes e proveitosos que este serviço possui.
Pedia-lhe um comentário sobre o Festival da Lampreia, este ano num formato diferente, atividade que teve um significativo impacto mediático.
Uma das diferenças, negativa no caso, deste confinamento em relação ao último foi o facto de não nos ter permitido servir a lampreia no restaurante. Dado o cariz típico e único deste prato, este é sempre um período de muita procura.
No entanto, a solução encontrada para o Festival tem corrido bastante bem e superou as expetativas. As pessoas aderiram numa escala que me surpreendeu positivamente.
Temos de valorizar esta ideia da Câmara Municipal, que muito nos ajudou e a qual temos de agradecer.
Há mais alguma iniciativa, agora mais vossa, que queira destacar e que tenham levado a efeito nesta época de trabalho à distância?
A margem de manobra e criatividade, num território como o nosso, não é grande. A nossa opção foi a manutenção ininterrupta do serviço de take away. Paralelamente íamos publicando a divulgação diária da nossa ementa. Nesta, os pratos que estão a ter maior adesão por parte dos clientes são o Cozido (à quarta), o Frango (à quinta) e a Batata a murro com bacalhau (à sexta).
Há algum ‘modo de fazer’ que vá ser aproveitado por vocês, no sentido do trabalho futuro?
Como se revelou uma aposta muito acertada e de encontro ao gosto dos clientes, no futuro iremos fazer uma aposta clara e permanente no ‘taka away’, de modo a garantir a fidelidade nos nossos clientes também nesse registo. Terá sido essa a maior ‘receita’ deste tempo, que queremos aproveitar para o futuro da nossa casa.






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