Sem desprimor para o espaço da pequena e grande notícia, o Penacova Actual inaugurou uma lógica de chegar aos leitores como se de um ‘semanário fracionado’ se tratasse. Ao domingo, o mote temático – esta semana o teletrabalho. Em cada dia, como Páginas Soltas, uma abordagem do tema segundo a angular de diferentes protagonistas. Agora, Alda Santos, técnica superior da Câmara Municipal de Penacova, a desempenhar funções na Biblioteca Municipal.

Alda Celeste Morgado Santos nasceu a 13 de janeiro de 1965. É casada, mãe de dois filhos (Joana Cristina e Luis Daniel) e avó de duas meninas, a Leonor e a Sofia.

Mestre em Politica Cultural Autárquica, é colaboradora do Município de Penacova desde 29 de abril de 1992. Iniciou a sua carreira na Secção Administrativa e Financeira. Atendendo à sua formação foi convidada a integrar a equipa da Cultura (biblioteca municipal), onde se encontra desde 2 de janeiro de 2010.

Depressa percebeu que estava no serviço certo e rapidamente se “apaixonou” pelo que fazia, sempre disponível para todos os projetos e novidades.

A Divisão de Turismo e Cultura é demasiado abrangente, desde biblioteca, programação cultural, museus, turismo, património cultural, relações internacionais até ao arquivo municipal. Assim, desde logo se integrou neste trabalho e é à biblioteca e arquivo que tem dedicado grande parte do tempo.

É a sua impressão e sensibilidade sobre o Teletrabalho, o nosso tema da semana, o que apresentamos como testemunho, numa entrevista escrita que nos concedeu.

O Penacova Actual quer, esta semana, escutar diferentes perspetivas do trabalho à distância. Apesar de amplamente noticiadas no que toca à sua descrição, partilhe com os nossos leitores algumas das sensações vividas com as propostas inovadoras da Biblioteca Municipal neste período de confinamento.

Com o surgimento deste mundo diferente a que o vírus nos sujeitou, a biblioteca municipal não baixou “braços” e a nossa Chefe de Divisão foi lançando novos desafios, que vieram a dar os seus “frutos”. Iniciámos um serviço muito interessante – contar histórias pelo telefone às pessoas que o solicitavam e a outras que por iniciativa da biblioteca eram contactadas, dada a forma solitária em que viviam, combatendo de certa forma o isolamento, uma vez que não podiam ou não deviam sair de casa.

Para além disso, começámos a fazer ‘horas do conto online’ para as IPSS(s) do nosso concelho. E foi neste serviço que senti que o vírus não nos tinha roubado tudo. Nós vemos o sorriso dos nossos avós estampados nos seus rostos, sentimos o carinho deles e da própria instituição. As instituições todos os meses nos visitavam, contávamos histórias e dançávamos com eles e, de repetente, tudo foi interrompido. Mas com este contacto online vamos permitindo ver-nos, ainda que à distância.

De toda a sua experiência de trabalho à distância, o que destaca como mais e menos positivo?

Se me perguntar, “gostas de trabalhar desta forma? Online?”, eu responderei: A biblioteca é uma casa que existe para que todos entrem, que toquem os livros, que escolham o livro que pretendem levar, que nos toquem nas mãos para nos sentir, que falem connosco, ou seja, sente-se a falta do “calor humano”. Sinto muita falta de tudo isso, mas estou certa que esse tempo voltará.

Os livros têm ‘cheiro’ e tocá-los, manejá-los constitui uma oportunidade única de relação com eles. Em que medida esta democratização digital, que torna os livros acessíveis de outra maneira, pode ser uma medida com futuro? Que projetos e modos de fazer deste período lhe parece que vieram para ficar?

Faz muito tempo que se divulgam novas formas de leitura, como sejam os ebooks. O futuro poderá passar por aí. As pessoas estando em casa, a trabalhar ou mesmo nas suas horas de lazer, muito facilmente acedem a essa nova dimensão. Acredito que muitos dos jovens que nesta fase tiveram que se reinventar na forma de estudar e aceder a obras necessárias à sua formação, tenham ficado inspirados por esta acessibilidade e cortem de certa forma a relação com o livro.

Mas a minha geração não vai deixar de procurar a biblioteca, de sentir o livro na sua mão e até porque grande parte do nosso público solicita mesmo a nossa orientação para a escolha da obra a levar, uma vez que a proximidade é de tal forma que acabamos por saber qual o género literário que cada utilizador normalmente procura.

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