
A localidade de Porto de Raiva, em Penacova, está dividida pelo IP3. Os acessos a esta via vão ser encerrados nos próximos dias, por causa da requalificação do traçado que está em curso, o que deixará em isolamento os moradores do cimo da aldeia. Como alternativa, foi alcatroado um caminho florestal, onde não se cruzam dois carros e que obriga os moradores a fazerem cinco quilómetros para irem ao outro lado da aldeia. A população lamenta não ter sido ouvida pela Infraestruturas de Portugal (IP).
Mário Freire – Correio da Manhã
“A solução mais viável era fazerem uma passagem desnivelada, ao fundo do lugar, numa zona onde os terrenos até já estão expropriados”, defende Helena Zeferino, que ali tem casa e familiares. “Quando isto for fechado, ficamos aqui isolados, eu não tenho carro, nem saúde para andar tanto a pé para ir ao outro lado da aldeia”, alerta Aida Gonçalves, uma das mais velhas que ali mora. Alguns dos habitantes já fazem contas ao aumento das despesas de deslocação para entrar e sair da localidade, com a situação a agravar-se para quem tem crianças. “O meu filho vai de carrinha para escola e já me avisaram que quando o acesso ao IP3 for fechado, vão deixar de passar, porque não estão para fazer mais dez quilómetros e perder tempo por causa dum um miúdo”, refere ao CM Aida Zeferino.
A aldeia fica num vale florestal. “Com a falta de alternativas, em caso de fogo como o de 2017, em que fugimos pelo IP3, como é que vai ser?”, questiona José Dias. “Esta é uma solução com a qual nem a autarquia concorda e já está a estudar alternativas”, refere o morador António Costa. A população acusa a IP de falta de diálogo.










