A minha rua é pequena
De tez morena
Temperada na força dos raios do dia
Que nunca a deixam sombria
Tem costa aberta para o bom ar
Larguras no horizonte
Tem todas as cores do arco-íris
Incluindo o Azul
Que a aponta bem a sul
Tem saudades embaladas
No seu banco das memórias
Tem dons rasgados de pertença
E outras histórias
Tem aguarelas na paisagem da certeza
Trabalhadas com destreza
E ainda tem o amor transbordante
Que sobrou das brincadeiras das crianças
Do seu raio circundante:
Téréré, fito e bola de trapo no pé!
O aspecto jovial de menina namoradeira
Lembra as catraias d’outrora
E as soirées à noitinha
Com os muros cheios de calor
E de rádios a pilhas a cantar de cor
Ainda hoje lá vou ver
As minhas mágoas a partir
E as nossas águas a sorrir
… Eu gosto da minha rua
Quero que nunca vá nua
E que mantenha a sua traça pura
E o sol a dar-lhe brilho
E a beleza a fazê-la passar no trilho
A minha rua, virada pro Mondego
Não ondula nem faz cova
Só serpenteia no teu lado luz, Penacova
Aquele que se renova sempre na fotografia
E que dá esperança ao desassossego
!… A Rua da Costa do Sol …!
Luís Pais Amante
Casa Azul (foto de Fátima Amaral Fonseca)
Quando tive conhecimento da Autorização de Utilização da nossa Casa Azul, cuja recuperação/reconstrução foi muito bem acompanhada pelo Município, no seu todo considerado.

Luís Amante em A minha Rua, deixa muito claro
que uma
simples rua de uma cidade não é uma simples
rua.
A alma sensível do autor no seu passo à passo
pela sua rua traz vida, história, lembranças, sentimentos,
cores e mais que tudo: gratidão poética.
Gratidão que nos ensina a ter um novo olhar
para a nossa própria rua. Talvez de certa maneira
estejamos de costa para o Sol!!
Parabéns Luís, vc enfeita nossa vida.
E minha homenagem também a quem escolheu o
esse nome para a rua!
Este poema do meu Luís leva-me a sonhar com a toponímia envolvente da nossa Casa Azul: A Rua da Costa do Sol e a Travessa do Paraíso!
Ambas projectam muito bem o que nós já desfrutámos no Paraíso e, agora, vamos prolongar ao Sol, nesse imenso olhar sobre o Rio e sobre o que Penacova nos oferece.
Simplesmente brilhante. Parabéns.
Abraço