A manhã amanheceu muito cedo

Por cima do Penedo da Carvoeira

E do arvoredo

 

O Sol começou a raiar

Por cima do Rio Mondego

Virado pro aconchego

 

Os passaritos e os madrugadores

Fizeram barulho de mais

Acordando os casais

 

E eu, já espreguiçado

Deixei de dormir na fadiga

Da véspera a pensar em ti, colorida

 

Eras uma terra bonita

Mesmo bela

Virada pra todos de cor singela

 

Já não tinhas nevoeiro

De premeio

E via-se bem o ulmeiro

 

Tinhas mimosas lindas de morrer

Abertas sem licenciamento

Crescendo sem sofrer

 

E as beiras do Rio

Nas partes cuidadas

Abraçavam-se sem frio

 

As lampreias, peixes agora

Subiam no lodo

Fugindo às picadas do tordo

 

Tinham fé de chegar ao Alva

Para de desovar sem perder a calma

E continuar a espécie

 

O Sol acordou, entretanto

Bateu de frente contigo

Penacova

 

E ficou a espraiar-se no vento

Na tua beleza sem igual

Envergonhado no seu pensamento

 

O espelho d’água no Reconquinho

Apareceu vestido prata verdadeira

Dada sem imposto ao forasteiro

!… E o dia continuou, presenteiro …!

 

Luís Pais AmanteCasa Azul

Ao acordar em Penacova do meu sonho, virado pro Reconquinho.

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2 COMENTÁRIOS

  1. Um poema de muita beleza e delicadeza
    que nosso querido poeta Luís Amante
    criou ao acordar de seu sonho virado para o Reconquinho, quando o Sol se pôs a
    raiar sobre o Mondego, e que eu ao ler suas
    palavras mergulhei nos meus sonhos deslizando sob o espelho de prata do rio.
    Obrigado Luís por nos despertar para as
    sutilezas da vida.

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