Hoje da Serra saem umas palavras picantes. Picantes no sentido de quentes, audaciosas, provocantes. Por esta altura alguns pensarão em Henry Miller mas ainda não. Hoje proponho Madre Paula, mulher de Deus, amante do rei, de Patricia Müller. Foi um daqueles livros que caem no colo, assim sem procura. Numa daquelas idas à minha livraria de carinho, onde não vou com a frequência que gostaria, mas mesmo assim sou tratada como gosto, foi recomendado e… valeu a pena! A História sempre me fascinou, não a que me ensinavam na escola, sensaborona, despida de vida e cheia de datas, mas sim a História das vidas; da vida dos personagens históricos, o que faziam, o que pensavam, as intrigas e maledicências da sociedade, a caracterização humana das populações, enfim tudo o que pudesse ser validado na minha concepção de História. Nem sei se Madre Paula poderá ser englobado na definição de romance histórico apenas por versar mais sobre indivíduos do que sobre contextos. Em termos de prazer na leitura está mais do que validado. Nesta minha fase de vida de leitora dispenso as descrições exaustivas dos movimentos entre lençóis, no caso concreto era mais sobre lençóis… contudo dão cor a um romance que acredito foi tórrido. Sobre este romance pouco se pode dizer porque tudo já foi dito. Então que se leia quem ainda tem algo a dizer.
Patricia Müller

Madre Paula , Mulher de Deus, Amante do Rei

Sinopse
“Nunca vi Deus a não ser em mim. Quando não estamos a rezar, nós as irmãs conversas- aquelas que não tiveram dinheiro para dar ao mosteiro e tidas como inferiores- estamos ocupadas com tarefas manuais do convento. Aprecio tarefas que me domesticam o espirito, o mundo mecânico que me mantem os pés na terra.”
Paula é uma criatura de feitio descontrolado, dada a ataques de um violência inusitada. É a filha do meio de um ourives de um beco de má fama, que depois da morte da mulher se tornou incapaz de garantir o sustento das três filhas enviou as duas mais velhas, Luz e Paula, para o Mosteiro de D. Dinis em Odivelas como forma de garantir o seu sustento sem cair em redes pequenas e destruidoras. Luz professou. Paula amou. Paula foi amada, não da forma espiritual que se espera de uma esposa de Cristo, mas da forma desenfreada e carnal que se espera de uma mulher. O seu primeiro amante foi o Conde do Vimioso. Este conduziu Paula pelos meandros do prazer carnal e abriu caminho para el Rei Sol, D. João V. O Conde foi um amante calmo, cuidadoso que tornou a primeira vez de Paula não em algo memorável mas em algo a repetir para poder ser aperfeiçoado. O próximo amante foi João. El rei tinha as riquezas do Brasil, que apenas aportavam em Portugal, logo seguindo o seu destino para pagar os caprichos de luxo de um corte desbragada e gastadora, para acudir aos gostos da plebeia Paula, que o era só de nascimento. Mulher poderosa que, a partir da sua cama no mosteiro de Odivelas, decidiu os destinos do reino. Mesmo sendo mais poderosa do qualquer dos conselheiros de El Rei, Paula nunca descurou as suas obrigações físicas e braçais no mosteiro, talvez como forma de se afirmar como mulher autónoma e independente. Neste romance viajamos pelo interior de personagens femininas densas, com uma sede de poder imensa, que por vezes se manifesta na forma de um bastardinho do rei. Nesta época parir um bastardo real era motivo de orgulho, como se o poder do rei se transmitisse pela via da cópula e um bastardo era a prova irrefutável do poder de uma mulher. Mesmo antes de parir um real bastardo Paula era já uma mulher poderosa fazendo frente até à rainha legitima. De entre lençóis conseguiu benesses para si e os seus. De entre lençóis foi conselheira real. De entre lençóis foi poder. De entre lençóis foi mulher de Deus e amante do Rei.
Boa semana com livros !!!!












