A notícia está no Jornal de Penacova de 20 de Abril de 1912.

Na igreja de Lorvão declara-se um incêndio, atingindo um caixão em chumbo que ali se encontrava a aguardar a conclusão de obras num jazigo do cemitério contíguo.

A altas horas da madrugada, na Igreja de Nossa Senhora da Expectação, junto ao cemitério, deflagrou um incêndio que destruiu as capelas laterais daquele templo.

Acontece que, em Lorvão, Joaquim Maria da Silva falecera havia poucos dias e tivera funeral civil. Ao tempo, estas opções não eram bem aceites pela maioria da população. O Jornal de Penacova conta que esse facto causou mesmo muitos “engulhos aos reaccionários, sempre intolerantes”.

Recorde-se que se tratava de um destacado republicano que na sessão comemorativa do 1.º de Dezembro de 1910, ocorrida em Penacova, lera em nome do povo de Lorvão e na qualidade de Presidente da Junta, uma exacerbada declaração de apoio à República.

A violência do fogo acabou inclusivamente por derreter o caixão de chumbo, tendo o cadáver de Joaquim Maria da Silva ficado, como seria de esperar, sido reduzido a cinzas.

Algumas pessoas diziam que se tratava de um castigo de Deus face ao acto de ateísmo rebelde daquele lorvanense. As culpas  ficar-se-iam por aqui…

Mas, evidentemente, para muitos, seria sempre uma história muito mal contada. Qual Deus, qual quê!…

Claro que havia fortes razões para admitir que tinha sido fogo posto. Não sabemos exactamente em que resultou a actuação do Administrador Concelhio, que na altura era quem instaurava os processos policiais, mas o que é certo é que foram detidos, para averiguações, o barbeiro e o coveiro da terra, respectivamente, Manuel Torcato e Manuel Adolfo.

David Gonçalves de Almeida

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