O Padre David Marques nasceu no lugar do Coval, freguesia de Mortágua, no ano de 1907. Ordenado sacerdote em 1931, assumiu a paroquialidade de S. Pedro de Alva no Verão de 1939, substituindo o Padre José da Costa Melo que acabava de ser colocado em Penalva do Alva. A saída do P.e Melo gerou algum descontentamento, mas rapidamente o novo pároco, que vinha da paróquia de Pampilhosa do Botão, granjeou a simpatia dos fiéis e afirmou o seu carácter de intrépido evangelizador.
Passado pouco tempo, no dia 17 de Setembro, organizou o “Dia da Família”, manifestação de grande militância católica que, além de S. Pedro de Alva, envolveu S. Paio, Travanca do Mondego, S. Martinho da Cortiça, Paradela e Friúmes.
Por essa altura já estava em gestação a ideia de se criar uma Casa do Povo, pois o despacho do Subsecretário de Estado das Corporações e Previdência Social, que lhe conferiu existência legal, tem a data de 18 de Dezembro. O seu principal mentor foi o padre David Marques. A propósito desta obra, escreveu Martinho de Paiva, correspondente do “Notícias de Penacova” (onde assinava AVIAP), que desde que aquele sacerdote viera para S. Pedro de Alva, “vendo a pobreza da maioria dos habitantes da freguesia e de toda a Casconha” se condoera e assim pensara “numa agremiação que os beneficiasse com uma assistência por intermédio do Estado.”
Durante 46 anos “marcou espiritual e socialmente” esta região, enquanto pároco de S. Pedro de Alva e de S. Paio e como Arcipreste de S. Martinho da Cortiça e ainda como fundador da Casa do Povo e membro do Conselho de Administração da Fundação Mário da Cunha Brito.
Sempre zelou pela conservação e restauro da Igreja Matriz, empenhando-se na compra do sino grande, no douramento dos altares, na substituição de telhados e no arranjo do adro. A poucos meses de falecer não deixou de alertar para a necessidade de arranjo dos beirados e substituição dos rebocos interiores e exteriores.
Apesar de ser acarinhado por todas as pessoas, foi vítima de uma tresloucada agressão em 1951. À saída da povoação de Hombres, onde fora celebrar, foi abordado por um indivíduo – tido como doente mental – que o atacou com um objecto perfurante e “só por milagre” não lhe atingiu os órgãos vitais.
Na celebração das Bodas de Ouro Sacerdotais, ocorrida em 29 de Agosto de 1981, foi manifesto o reconhecimento das paróquias a si confiadas. Mais tarde, em 6 de Junho de 2010, foi homenageado postumamente, pela Paróquia e pela Casa do Povo. A cerimónia evocativa decorreu na Casa do Povo, tendo sido descerrado um retrato seu. Seguiu-se uma Romagem ao cemitério de Mortágua, onde repousam os seus restos mortais.
Faleceu no dia 1 de Junho de 1985. Até ao dia 3 esteve em Câmara Ardente na Capela de Santo António. No funeral, que se realizou neste último dia, incorporaram-se as Irmandades de S. Paio e de S. Pedro de Alva. Também a Filarmónica esteve representada. A missa de corpo presente foi presidida por D. João Alves, Bispo de Coimbra, e concelebrada por cerca de duas dezenas de sacerdotes. O cortejo fúnebre, formado por muitos carros particulares e autocarros, seguiu para Mortágua, sua terra natal.
David Gonçalves de Almeida












